WORLD CENTER

PROTEÇÃO QUE VEM A REBOQUECaracterizada pela permanente busca – nos 4 cantos do mundo – do que há de mais atualizado em termos fabris e de dispositivos dedicados à segurança viária, a respeitada World Center traz ao Brasil uma nova geração de Trailer Truck Mounted Attenuator TTMA – ou, em bom português – “Amortecedores de impacto Montados em Caminhão”. Elemento relativamente conhecido, especialmente em operações mais sofisticadas como as das concessões rodoviárias, a aposta da World Center, é estratégica, e reside no entendimento de que a popularização do equipamento, mais do que uma necessidade, é uma urgência.

Um tremendo estouro, uma pancada forte. Fumaça. Barulho de plásticos se quebrando, metais se torcendo e, de repente, uma tela branca que vai desaparecendo aos poucos, para dar espaço à visão de um para-brisas completamente arrebentado. Nenhum som de pneus cantando, nem marcas de freada. Não deu nem tempo de brecar.

A sucessão de eventos foi rápida. Bem mais rápida do que o tempo que você levou para ler a primeira linha deste texto. Tão rápida que o Sr. Amado, simplesmente sem conseguir processar o que aconteceu, ficou imóvel no carro por alguns instantes. “No que foi que eu bati?”, ele pensou.

Sentindo uma forte dor no peito, que foi pressionado pelo impacto contra o cinto e pelo repentino estouro do airbag, ele tentou lembrar-se dos poucos segundos antes da proverbial pancada na qual havia tomado a ingrata posição de protagonismo: “Que ajuste eu estava procurando na tela do carro… ah, diminuir a intensidade do ar-condicionado…”, relatou mais tarde o Sr. Amado, antes de reclamar da crescente complexidade dos sistemas multimídias dos automóveis, que, em detrimento de botões físicos, centralizam os mais evidentes e simples comandos em uma cadeia de abas e menus, de arquitetura duvidosa, em softwares que obedecem mais à lógica do programador que à do usuário.

SENHOR AMADO!

Pois bem, o Sr. Amado, ainda um pouco tonto, desce do carro e registra uma cena tétrica, que o fez perder o ar e, enfim, a consciência, colapsando desmaiado ao chão: um par de pernas com botas de segurança e uniforme com refletivos, bem embaixo da sucata em que seu carro havia se tornado, com as luzes do bastão de LED ainda piscando.

Mais tarde, já hospitalizado, recuperando-se apenas do susto — pois ele saiu sem nenhum arranhão —, sua primeira pergunta foi respondida, e o real motivo de sua internação, esclarecido. Ele havia colidido contra um TTMA. E não. O par de pernas sob a sucata não era uma pessoa, e sim um boneco sinalizador de obras.

O Sr. Amado, afinal, não se tornou inadvertidamente um assassino: foi vítima de um momento de distração que, apesar de ter saído caro do ponto de vista material, ficou baratíssimo, se pesadas as duas vidas ali poupadas neste átimo desastroso de circunstâncias.

Ao leitor mais acostumado com o estilo de RodoVias&Infra, pode parecer que a história seja uma mera ficção criada por algum devaneio na redação. Mas a verdade é que este é um relato verdadeiro — com final feliz — e que demonstra, em termos práticos, o êxito de engenheiros, planejadores e gestores em buscar cada vez mais elementos e dispositivos para compor um arranjo maior de proteção de zona de obras.

De fato, um tema tão imediato que virou assunto central de uma das principais discussões, que, afinal, virou tema do mais moderno e completo manual de segurança para este quesito, um avanço que nivelou soluções “por cima” e que foi elaborado pela Motiva, como você poderá conferir ao longo desta edição, na reportagem “Segurança: valor central”. Dito isto, nestas páginas seguintes, voltamos nosso olhar e nossas lentes para o TTMA, no detalhe.

ÁPICE TECNOLÓGICO

Em conversa com Fabiano Olimpio, responsável pelo setor de vendas da World Center, representante oficial da fabricante americana TrafFix Devices Inc., referência neste tipo de equipamento, ele explicou: “Coerente com os princípios da World Center, nós fomos em busca da melhor, a número 1 nessa solução. E, até onde sabemos, a única empresa fornecedora de TTMA que possui a certificação MASH, que é mais exigente, inclusive, do que a certificação europeia”.

Cabe ressaltar que a certificação MASH refere-se ao manual americano de avaliação para dispositivos de segurança, Manual for Assessing Safety Hardware, e para o qual foi “testado, aprovado e aceito”.

O modelo em específico, denominado Scorpion II, chega ao Brasil em regime CKD — Completely Knocked Down —, o que coloca a World Center não apenas como representante, mas como montadora.

Prosseguindo pelas características do dispositivo, Olimpio afirma: “Identificamos neste modelo uma boa solução para o Brasil. Como é um trailer, ele pode ser rebocado por um caminhão, denominado hospedeiro. Devido às dimensões, peso — apenas 750 kg — e natureza do equipamento, ele pode ser conduzido por motoristas com habilitação C, em perfeita aderência às normas de trânsito, pois o conjunto inteiro, hospedeiro mais TTMA, mantém-se abaixo das 6 t de tração previstas na legislação. É um equipamento que pode ser emplacado, pois tem CAT, Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito, e, portanto, pode ser segurado. Nós, inclusive, temos conhecimento de dispositivos que foram sinistrados, com perda total, e a seguradora cobriu”, disse.

“Estes são considerados dispositivos sacrificáveis. E fornecem uma separação positiva entre os trabalhadores e o usuário. Especificamente no modelo que temos, estamos falando de um nível de contenção TL-3, de até 100 km/h, que, portanto, contempla a maioria dos segmentos rodoviários brasileiros”, comentou.

PRONTO EMPREGO

Ainda sob o ponto de vista dos operadores, cabe destaque para o raio de giro de 45°, a manobrabilidade, com as marchas à ré facilitadas, o acoplamento mecânico simples, a capacidade de suportar impactos de até 20 t, velocidade máxima em serviço de 50 km/h e velocidade máxima de transporte de 100 km/h e o Telescoping Anti-Rotational System — TARS —, capaz de estabilizar a trajetória pós-impacto, mesmo que ela se dê em ângulo.

“Este equipamento também dispõe de uma seta de alta luminosidade, de origem da conhecida fabricante alemã Nissen Road Safety Products, com visibilidade superior a 1 km, além do ostensivo uso de refletivos, o que elimina a necessidade de um homem-bandeira. Ainda outra vantagem que ele oferece é o fato de ser modular. Em caso de abalroamentos ou colisões de menor monta, não é necessário fazer a substituição completa. Basta substituir apenas as peças impactadas. É uma facilidade de manutenção”.

De acordo com a World Center, até este momento, já foram comercializadas no Brasil mais de 100 unidades do TTMA Scorpion II.

“Este dispositivo está se popularizando mais por diversos motivos: a World Center vem trabalhando com ele, realizando suas primeiras vendas no país para concessionárias como a Arteris, desde 2020; o custo relativo baixo frente aos danos que a sua não utilização produz; a sua previsão de obrigatoriedade de uso nos mais modernos manuais em situações de dinâmica de obras específica; a própria facilidade de manuseio e transporte por parte do pessoal de campo e operadores. É uma tecnologia que vem ainda validada pelo mundo real, porque é extremamente difundida tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. É uma tecnologia que verdadeiramente salva vidas. Ou seja, é um equipamento completamente aderente a esses conceitos novos de Vision Zero, que equivale basicamente ao nosso Visão Zero e, portanto, a todos os conceitos que a World Center sempre defendeu, de que nenhuma morte é aceitável nas nossas rodovias e que é preciso, mais do que nunca, transmitirmos para a prática as concepções e ideias que estão associadas às ‘rodovias que perdoam’”, argumentou.

Olimpio ainda fez questão de frisar: “O Scorpion II é a solução ideal para operações que exigem rapidez na movimentação, eficiência operacional e alto nível de proteção, atendendo aos mais rigorosos padrões de segurança viária”.