Pela primeira vez realizado na América Latina, evento Global de Tecnologia para Construção Rodoviária, Technology Days Latin America, promoveu uma imersão completa no universo tecnológico e avançado da linha
de equipamentos de alta performance do Wirtgen Group. Cobrindo absolutamente todas as etapas produtivas da construção rodoviária pesada, tanto em pavimento rígido quanto fl exível, a nova geração de máquinas das
tradicionalíssimas WIRTGEN; VÖGELE; HAMM; KLEEMANN; BENNINGHOVEN E CIBER, integrantes do conglomerado (que desde 2017 faz parte de um ecossistema ainda maior, sob a Deere & Co.) foi apresentada em detalhes e com exclusividade para um seleto grupo de parceiros, clientes e imprensa especializada. Atendendo ao convite, RodoVias&Infra foi à ensolarada Indaiatuba para conferir a programação que, além das demonstrações,
contou com painéis temáticos e mesas redondas.

Ampla, executada em uma moderna, bem pensada ‒ e arejada ‒ arquitetura industrial, a sede da John Deere Construção e Florestal, apropriadamente eleita para receber um evento com as dimensões (e importância implícita), do Technology Days, foi palco (literalmente, em alguns momentos), de um conjunto de atividades que em boa monta extrapolou as expectativas que um time de imprensa experimentado como o deste periódico, normalmente cria em apresentações de mídia. O briefing, liderado por Jeferson Souza, gerente de marketing Wirtgen Group, foi a senha para o início dos trabalhos, em meio a uma mostra estática de alguns dos equipamentos, organizado na parte externa (visíveis já desde a chegada, portanto), e que mais tarde, os convidados poderiam ver em ação. De fato, RodoVias & Infra, bem como os demais colegas de imprensa, estavam a participar do último de quatro dias de apresentações, que seguramente foram capazes de fazer jus ao line up das marcas. Surpreendendo, o destaque a este ponto, em meio às suas “irmãs maiores” (Super 1800-5 e Super 1303-3, sobre rodas, entre outras), foi um pequeno prodígio, pensado para intervenções e pequenas pavimentações em espaços urbanos, com a pavimentadora Vögele Mini 500, indicada para ciclovias, calçadas e reparos de dimensões menores. Com menos de 1,5 t e dimensões bastante frugais, ela manobra por meio de esteiras em borracha de alta resistência, evitando assim danos às coberturas e estruturas existentes na área de trabalho, sendo capaz de cobrir caminhos de 0,9 à 1,8 m de largura, podendo assentar até 20 t por hora. Prosseguindo pelo walkaround a reportagem teve a oportunidade de subir a bordo da imponente Recicladora a Frio e Estabilizadora WR 240 X, um titã de 30 t em ordem de marcha, com mais de 600 HP e capaz de, em uma largura máxima de até 2,4 m, trabalhar em profundidades de 0,51 m. Totalmente inteligente, conectada, georreferenciada e, evidentemente, telemetrizada. Porém, é no verdadeiro e respeitável “escritório” que o operador tem à sua disposição, que estão verdadeiros trunfos da máquina: conforto e ergonomia. Climatizado, o cockpit possui visibilidade invejável, comandos por joystick e duas posições em operação, sendo uma delas de instrução, fixa. Vale ressaltar um outro aspecto interessante, este relativo à nomenclatura de produto adotada pela Wirtgen: o “X” colocado após a denominação do equipamento, tem um significado bastante especial, pois sinaliza que a máquina em questão, possui dispositivos e/ou tecnologias no topo do desenvolvimento da fabricante. Ou seja, um caráter somente reservado ao que de mais avançado e extremo a Wirtgen tem a oferecer. Todo este pacote, não é mero exibicionismo. De acordo com diretor-presidente do Wirtgen Group Latam, Adriano Correia, a oferta de maior tecnologia embarcada em alguns equipamentos como na linha X (a Wirtgen e suas outras empresas, também possuem linhas mais robustas, low tech), vem de uma necessidade premente: “É fundamental transformar dados em inteligência. As máquinas passam informação o tempo todo, mas é preciso saber como transformar todo esse conjunto em algo útil”, afirmou, referindo-se não apenas a um monitoramento mais preciso de produtividade e maior previsibilidade em manutenções, mas também, melhor diagnóstico e até mesmo reparos remotos (como por exemplo, por meio do CIBER Service Care, integrado à plataforma John Deere Operations Center, que oferecem disponibilidade e suporte de alto valor, para garantir desempenho, disponibilidade e rendimento para os clientes em uma operação conectada para usinas de asfalto). Segundo Flávio Machado, diretor-presidente da CIBER Equipamentos Rodoviários, “A ideia é resolver eventuais problemas de campo, remotamente. Quando iniciamos o CIBER Service Care, entendemos que teríamos capacidade de resolver cerca de 40% das ocorrências, via QR Code e acionamento por Whatsapp dentro da cabine da usina, que coloca esse operador em contato direto com um de nossos experts. Isso é um suporte de alto nível para garantir fluidez em um ambiente que não admite falhas e interrupções”, uma proposta em linha com o slogan “Close to our customers” ‒ Próximos aos nossos clientes, adotado pelo Grupo. Ambos executivos, afinal, demonstram a perspicácia inequívoca do Grupo, uma vez que mais que uma tendência ou mero fetiche técnico, máquinas capazes de atender à níveis de exigência cada vez mais altos no resultado final (como o Índice Internacional de Irregularidade, IRI com previsão de superfícies pavimentadas absolutamente lisas), estão se tornando modelo de qualidade em um mercado que está voltado à performance, tanto pelo lado da iniciativa privada, quanto do poder público (como veremos mais adiante).
ARTES CULINÁRIAS: COOKING SCHOOL E A SUSTENTABILIDADE
Dando sequência às apresentações, o foco voltou-se para a inovação no material aplicado, com uma bem humorada apresentação conduzida pelo “chef” sul-africano (e um dos pioneiros em estudos e aplicação do BSM ‒ Bitumen Stabilised Materials, no caso, expondo uma mistura de material fresado por espuma de asfalto), Mr. David Collings, engenheiro dedicado à pavimentação. Durante a preleção, enquanto realizava a alquimia da mistura (uma espécie de “Magia Negra”, como ele disse brincalhão, aludindo à cor do insumo), citando diversas proporções possíveis com material reciclado para o RAP (Recycled Asphalt Pavement), ele citou a utilização de material como o demonstrado, na rodovia Ayrton Senna, em São Paulo, pioneira há 15 anos no emprego do material que, além de melhor desempenho e grande resistência, apresenta forte apelo ambiental, promovendo uma sobrevida a um material nobre que, de outra maneira se tornaria um passivo, mesmo que inerte. Curiosamente, de acordo com ele, a espuma obtida, é conseguida por meio do aquecimento do Betume e, (no caso desta demonstração, em um recipiente pressurizado no equipamento WLB 10 S da Wirtgen à cerca de 160 graus), em seguida adicionando uma parte de água que, como o próprio Mr. Collings exemplificou, reage como quando se joga a mesma água sobre óleo quente em uma cozinha doméstica: uma rápida e drástica expansão.
MÁQUINAS EM DESFILE
No que se imaginava ser o ponto alto do dia (note o leitor, a proposital utilização do tempo verbal no passado), o Wirtgen Group promoveu uma grandiosa simulação de toda a logística e ciclos de utilização de seus produtos como em uma obra rodoviária de verdade. Em fila, ordenados e respeitando, cada qual em suas etapas, os equipamentos foram demonstrados, tendo seus detalhes explicados pelos especialistas das marcas. Do caminhão que aspergiu cimento para tratamento do solo, à já mencionada Recicladora WR 240 X; os rolos compactadores de cilindro pé de carneiro HAMM HC 200 P e de cilindro liso HC 110 G. Em outro segmento de pista, foi demonstrada a Fresadora W 200 F, a PowerFeeder VÖGELE MT 3000-5 Offset; as Pavimentadoras Universais VÖGELE SUPER 1800-5 X e SUPER 1900-3; o Rolo Compactador Tandem HAMM HD 90 P, dotado do sistema Hammtronic (que traz maior controle e suavidade aos equipamentos), e o Rolo de Rodas de Borracha HAMM HP 280. Porém, o grande destaque, ficou com a aparição da monumental Recicladora a Frio WIRTGEN W 380 CR. Sobre ela, o diretor-comercial da Wirtgen Latam, Guilherme Rodrigues, detalhou que, “Pela primeira vez no Brasil, trouxemos essa Recicladora in situ, de alta capacidade, que permite em uma passada única, fazer a reciclagem de uma faixa completa, conseguindo reciclar entre 2 e 3 km por dia, com excelente resultado no produto final. “Queremos mostrar um nível diferente de produtividade, em termos de qualidade, segurança e produtividade. A W 380 CR, é um produto que tem atraído bastante atenção de concessionárias e empresas focadas em entregas de qualidade” Em tempo, a máquina opera atingindo uma largura total de 3,8 m a uma profundidade máxima de 0,31 m. Vale ressaltar que esta última, ao lado da VÖGELE MINI 500 e do HAMM HD 90 P, constituem um rol de mais recentes lançamentos do Grupo. Ainda, após a demonstração, foi possível observar as Usinas de Asfalto CORE | Benninghoven, RPP 4000 HG | Benninghoven, e uma Usina de Asfalto Contínua Móvel, iNOVA 1500 da CIBER. Adriano Rosa, gerente de Produto para a América Latina da VÖGELE, explicou que, “Já há algum tempo nós vínhamos planejando este evento aqui, falando nosso idioma, e para que todos pudessem ver as máquinas trabalhando, como se fosse no dia a dia de trabalho. Nós enxergamos o Brasil, com grande potencial que busca de maior qualidade em seus pavimentos. O usuário brasileiro está cada vez mais exigente, e os nossos equipamentos encontram essa expectativa por maior qualidade”, afirmou. Guilherme Ramos, diretor da STO Feiras e Eventos, avaliou que: “Esta foi uma demonstração de pavimentação muito completa e bem feita. É muito legal, logo antes da Paving, podermos ver essa produtividade dos equipamentos e a tecnologia embarcada. É um grande evento, impressiona positivamente”, declarou.
PRESENÇA ANEOR
Iniciando a porção mais estratégica do evento, o presidente Executivo da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias, Danniel Zveiter, dando continuidade aos esforços da entidade, que intransigentemente desde sua fundação vem defendendo propostas, ajustes e ações fundamentais para a boa saúde do setor, pôde apresentar ao seleto grupo de formadores de opinião, autoridades, líderes e imprensas especializadas, o “Compromisso Infra Rodovias”, largamente noticiado por RodoVias & Infra (e que volta à pauta, como destaque inclusive nesta edição), que vem impulsionando debates sobre o “Programa Nacional de Ampliação e Modernização da Malha Rodoviária Federal” e a urgente conscientização geral de que “Investimentos em Infraestrutura não são políticas de governo, mas políticas de Estado. Precisam de previsibilidade e constância”. Em tempo, ele convidou os presentes para melhor se inteirar a respeito de detalhes, estudos e a compleição da proposta, divulgando o site compromissoinfrarodovias.com.br, no qual é possível assinar a carta compromisso, que vem sendo apresentada pela entidade em diversos eventos, tendo já passado por 5 estados brasileiros até o momento.

PAINÉIS DE DEBATES: SUSTENTÁVEL, SEGURO, INTELIGENTE
Em linha com as premissas adotadas pelo Wirtgen Group, a companhia promoveu espaços para elevar ainda mais o nível de discussões para um melhor desenvolvimento de infraestrutura e obras no Brasil. Por meio do Painel “Mais Sustentável”, que contemplou a produção de asfalto sustentável e o papel do RAP ‒ Pavimento de Asfalto Reciclado em uma cadeia produtiva mais limpa; do painel “Mais Seguro”, que abordou Novas tecnologias para reabilitação de estradas com reciclagem In Situ, e do Painel “Mais Inteligente”, que foi além e trouxe à pauta novas tecnologias e futuro da construção rodoviária, junto com aquilatadas personalidades da Infraestrutura nacional, como Danniel Zveiter, presidente Executivo da ANEOR, Lidiane Blank, gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios de Infraestrutura da Votorantim Cimentos, o anfitrião do Technology Days, Adriano Correia, diretor-presidente do Wirtgen Group Latam e o Diretor de Planejamento e Pesquisa do DNIT, Luiz Guilherme Mello. Respondendo à pergunta “Quais as principais oportunidades dos pavimentos reciclados, dentro da malha do DNIT?”, entre outras, o Diretor de Planejamento e Pesquisa do DNIT, Luiz Guilherme Mello avaliou: “Existe uma grande oportunidade dentro da malha do DNIT: 90% dela é executada em pavimento flexível. Sustentabilidade é importante para o Departamento. E a iniciativa de uso de pavimento reciclado, além de tecnicamente viável, é também ambientalmente correta. Tanto que o DNIT tem uma resolução para uso integral de RAP desde o projeto. E neste sentido, ampliado à novas tecnologias em geral, queremos acompanhar, não apenas o que as empresas desenvolvem, mas também as aplicações em campo”, afirmou. Em outro momento, os debates se ampliaram para alguns critérios inovadores adotados pelo DNIT, quando o diretor detalhou: “O DNIT está trabalhando em Instrução Normativa com o conceito de remuneração variável, primeiramente a partir do IRI, com bônus por performance, e depois estendido para outros critérios de obras. Elaboramos para isso, uma função matemática. Rodovias com IRI maior terminam sua vida útil com melhor qualidade, IRI maior é economia de Combustível, também, além de maior conforto. No fim das contas, vai valer mais apenas fazer o serviço com excelência, e não vai compensar sofrer as penalidades, caso o IRI não seja atingido”, explicou. Presente à mesa redonda, o diretor-presidente do Wirtgen Group Latam, Adriano Correia, comentou: “O DNIT inova com a adoção de bônus por performance, e isso, além de melhorar a qualidade das entregas, vai fomentar cada vez mais a chegada de novas tecnologias, capazes de entregar essa excelência. Na mesma linha, em que o fomento à excelência se reverte em melhores resultados também para as empresas que investem, Robson Avila, CEO da Eixo SP, maior concessão em extensão de malha viária no país, acrescentou: “Não deixar o pavimento degradar é mais vantajoso e eficiente do ponto de vista de investimentos e custos. O RAP é uma realidade, desde que respeitada a técnica com rigor. Aplicamos pelo menos 25% de material reciclado. A Eixo tem 3 usinas próprias que aplicam o RAP fresado na mistura a quente. Nesta busca por qualidade, a Eixo SP adquiriu a INOVA 1500, investindo também em maior controle, e muitas pistas de testes. O RAP oferece a mesma qualidade que o CBUQ. No momento, estamos investindo em ampliar a porcentagem de RAP. O desafio para aumentar a proporção, vai depender de um maior fracionamento, com fresado dosado, para atender uma granulometria exata. Estimamos chegar em 40% ou mais”, declarou. Participante na discussão, Carlos Eduardo Xisto, diretor de Engenharia do Grupo EPR, indo além e inferindo por uma seara tecnologicamente avançada, frisou que “O sistema de Gerenciamento de Pavimentos é fundamental para uma boa performance na utilização, não apenas do RAP, mas de todos os tipos”. Fechando as considerações sobre o debate, Lidiane Blank, gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios de Infraestrutura da Votorantim Cimentos, ponderou: “O DNIT hoje é o maior banco de dados de engenharia no Brasil. E uma normativa como essa, do bônus por performance, transforma informação em inteligência. Temos um pipeline de projetos, reforçado pelo PNL 50. Hoje temos equipamentos e informações. Mas é preciso, para um salto imediato, transformar essas informações em inteligência. E parabenizo o Wirtgen Group por essa iniciativa, do Technology Days porque mostra que esse avanço, como o Carlos Xisto apontou, já está acontecendo”, finalizou.
SHOW (LITERALMENTE) DA INFRAESTRUTURA
Findo o debate, o Technology Days seguia caminhando para seu encerramento. Mas, como dizem os americanos, não sem “Fazer barulho” (na expressão original, loud bang). Já com os drinks sendo servidos e os convidados confraternizando e trocando suas percepções acerca do imersivo dia, na parte imediatamente posterior à arena onde haviam sido demonstrados os equipamentos, os últimos ajustes em uma enorme estrutura metálica eram feitos. Precisamente montado entre dois grandes montes de areia, um palco completo, recebia uma banda. Contagem regressiva no telão, pessoas convocadas. Uma verdadeira “Ópera Rock da Construção Pesada” estava para começar. Músicos afinadíssimos (com direito até à violoncelista em atos mais introspectivos, quando a peça ‒ sim, uma peça teatral em simultâneo ‒ exigia) e que não pareciam se intimidar com pirotecnia, tomaram parte, junto à máquinas (muitas vezes, em cima delas) e à equipe de especialistas do Wirtgen Group, em uma grande celebração à atividade rodoviária e ao não raro ‒ duro caminho a ser percorrido ‒ nesta “empreitada de abrir estradas”. Desafios, somente superados com dedicação, persistência e, como ficou claro na mensagem e nos acordes progressivos, equipamentos de primeira linha.
