CAPA – TERESINA: A capital que renasce sobre asfalto e concreto

E ergue-se entre os rios Parnaíba e Poti, a Terra da cajuína cristalina e dos festivais de quadrilha mais autênticos do Brasil. É na “Mesopotâmia do Nordeste” que uma revolução toma forma. Não com armas, mas com trabalho, ferramentas, equipamentos e inteligência. Uma — também — evolução que transforma a paisagem urbana. Teresina. Única capital nordestina situada no interior, berço de grandes escritores como Torquato Neto e portal de entrada para as maravilhas arqueológicas da Serra da Capivara, ela vive hoje sua maior transformação desde a fundação, em 1852. Uma cidade que renasce sobre asfalto e concreto, sem prescindir da exuberância de sua proverbial natureza.

O Piauí, estado que guarda tesouros como a Serra da Capivara — patrimônio mundial da UNESCO — e produz a melhor cajuína do mundo, está escrevendo um novo capítulo na história da infraestrutura rodoviária brasileira. Com investimentos superiores a R$ 1,5 bilhão, o estado se prepara para se tornar o hub logístico que conectará o sertão aos portos, transformando limitações geográficas em vantagens estratégicas. A equipe da RodoVias&Infra percorreu o estado para testemunhar de perto essas transformações. Em conversa exclusiva com a RodoVias&Infra, o superintendente do DNIT no estado, Ribamar Bastos, celebra: “Estamos vivendo o melhor momento da história da infraestrutura rodoviária do Piauí.” Para o chefe do Serviço de Manutenção, Mário Celso Alencar Oliveira, “a transformação representa muito mais que obras de engenharia: é a materialização de um sonho coletivo de desenvolvimento sustentável.” Acompanhe a entrevista completa com o superintendente nesta edição. Como o superintendente Ribamar Bastos conta à RodoVias&Infra, duas inaugurações emblemáticas recentes simbolizam a nova era da infraestrutura piauiense e demonstram o impacto transformador dos investimentos federais na região.

REBAIXAMENTO DA AVENIDA JOÃO XXIII: ENGENHARIA URBANA DE PRECISÃO

No coração de Teresina, a trincheira da Ladeira do Uruguai representa uma das intervenções urbanas mais complexas já realizadas no estado. Com investimento de R$ 46 milhões, o empreendimento transformou um dos principais gargalos de tráfego da capital em uma via moderna e eficiente, beneficiando diretamente mais de 50 mil veículos que transitam diariamente pela região. A obra, que integra o Contorno Rodoviário de Teresina, incluiu a construção de uma trincheira de 420 m de extensão sob a rótula existente, composta por duas pistas de 7,2 m de largura cada, separadas por barreira New Jersey. O projeto contempla ainda faixas de segurança de 0,5 metro, acostamentos de 1,5 metro e sistema de drenagem especial para enfrentar o período chuvoso característico da região. Durante a cerimônia de inauguração, o ministro dos Transportes, Renan Filho, destacou a importância estratégica da intervenção: “Hoje inauguramos uma obra linda, muito importante para Teresina e todo o Piauí. Esta trincheira vai dar fluidez e reduzir os transtornos no tráfego de veículos que circulam pela capital piauiense”, afirmou o ministro, ressaltando que a malha rodoviária considerada “boa” no Índice de Condição de Manutenção (ICM) piauiense subiu de 63% para 90% entre 2022 e 2025. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, enfatizou o impacto social da obra: “Com o rebaixamento da Avenida João XXIII, garantimos não apenas a melhoria do trânsito, mas também a segurança e o bem-estar dos cidadãos que utilizam essa via diariamente. É infraestrutura que muda vidas”, declarou o ministro, destacando que a obra faz parte de um pacote maior de investimentos que inclui os viadutos do Mercado do Peixe e do Dirceu. A BR-343, onde está inserida a trincheira, é uma rodovia diagonal estratégica do Piauí, com 742 km de extensão, ligando o litoral (Luís Correia) ao sul do estado (Bertolínia), passando pela capital, Teresina. Esta rodovia é fundamental para o desenvolvimento do turismo piauiense, conectando a capital ao litoral, e serve como importante elo entre o Piauí e o Ceará.

PONTE SOBRE O RIO PARNAÍBA: INTEGRAÇÃO QUE TRANSFORMA ECONOMIAS

A inauguração da ponte que conecta Santa Filomena (PI) a Tasso Fragoso (MA) representa muito mais que uma simples ligação física entre dois estados. Com 123 m de extensão e investimento de R$ 36 milhões, a estrutura eliminou um gargalo histórico que onerava o transporte de cargas em R$ 300,00 por travessia de carreta, impactando diretamente a competitividade do agronegócio na região do MATOPIBA (acrônimo para a abrangência de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A ponte faz parte do projeto de implantação da BR-330/PI, uma rodovia estratégica de 233 km que, quando concluída com investimento total de R$ 800 milhões, conectará o cerrado piauiense aos portos do Maranhão. Esta ligação é fundamental para o escoamento da produção de grãos da região, especialmente soja e milho, conectando os municípios do sul piauiense à região produtora de Balsas/MA. O ministro Renan Filho enfatizou o impacto econômico da nova infraestrutura: “Esta ponte é um vetor de desenvolvimento socioeconômico, promovendo a integração entre os estados e fortalecendo a economia local. Estamos falando de uma obra que vai facilitar o escoamento da produção de grãos e reduzir custos logísticos para toda a região”, destacou o ministro, explicando que a obra foi viabilizada por meio de delegação de competência para o órgão estadual, demonstrando a eficiência dos processos de licenciamento no Piauí. Já o ministro Wellington Dias complementou, contextualizando o impacto regional: “A inauguração desta ponte representa um avanço significativo para a infraestrutura da região, beneficiando diretamente a população e o setor produtivo. É desenvolvimento que chega aonde o povo precisa”, afirmou o ministro, ressaltando que a obra integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e demonstra o compromisso federal com o desenvolvimento do interior nordestino. A região do MATOPIBA é considerada a última fronteira agrícola do país, responsável por cerca de 10% da produção nacional de grãos e importante produtora de algodão. A nova ponte elimina um gargalo logístico crucial, reduzindo em até 40% o tempo de transporte entre as regiões produtoras e os portos de São Luís, no Maranhão, fortalecendo a posição estratégica do Piauí no cenário do agronegócio nacional.

IMPACTO REGIONAL E PERSPECTIVAS FUTURAS

As duas inaugurações simbolizam a transformação em curso no Piauí, estado que historicamente enfrentou desafios de conectividade e infraestrutura. Com uma malha rodoviária federal de aproximadamente 3.000 km, o estado vem experimentando melhorias significativas em seus indicadores de qualidade viária. O Índice de Condição de Manutenção (ICM) das rodovias federais no Piauí saltou de 52 para 90 nos últimos anos, colocando o estado entre os melhores do país neste quesito. Esta melhoria reflete não apenas investimentos em novas obras, mas também uma estratégia consistente de manutenção preventiva que triplicou os recursos destinados à conservação rodoviária. Para Teresina, com seus 868 mil habitantes e posição estratégica como única capital nordestina no interior, as melhorias na infraestrutura rodoviária representam a consolidação de seu papel como hub logístico regional. A cidade, que concentra mais de 45% do PIB estadual, se beneficia diretamente de uma malha viária eficiente que facilita o acesso a mercados e fortalece sua vocação de centro de distribuição para o Norte e Nordeste.

POR DENTRO DA SUPERINTENDÊNCIA: A PRESENÇA DO DNIT NO PIAUÍ

RodoVias&Infra esteve presente, acompanhando de perto os avanços que estão moldando o futuro da infraestrutura no Piauí e consolidando o estado como um exemplo nacional de eficiência na gestão rodoviária. Para uma visão mais aprofundada sobre os projetos em andamento, os desafios superados e as perspectivas futuras para o estado, confira os depoimentos exclusivos de toda a equipe técnica do DNIT/PI que constroem essa edição.

COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA COM DOUGLAS VINÍCIUS V. LEMOS

INOVAÇÃO E EFICIÊNCIA NAS OBRAS

Na linha de frente da transformação, a Coordenação de Engenharia, liderada por Douglas Vinícius Viana Lemos, é responsável por traduzir os planos em realidade concreta. Com um portfólio vasto de projetos, a equipe se dedica a intervenções complexas, como travessias urbanas que exigem precisão e cumprimento rigoroso de prazos. “O rebaixamento da BR-343 custou R$ 46 milhões. Pela complexidade da obra, foi um valor bem acessível. Mesmo sendo uma travessia urbana, obedeceu rigorosamente o cronograma, sem nenhum atraso”, explica Lemos, destacando a excelência na execução de projetos como o rebaixamento da BR-343 na Avenida João XXIII, que desafogou o tráfego para o litoral e cidades importantes como Altos, Campo Maior e Piripiri. A coordenação gerencia um impressionante portfólio de 47 contratos ativos que abrangem projetos, obras, supervisão e sinalização, com o maior peso financeiro concentrado nas obras de construção. Essa gestão simultânea de dezenas de contratos demonstra a capacidade operacional e a maturidade técnica da equipe piauiense. Entre os projetos concluídos, destaca-se a duplicação da BR-316 de Teresina até Demerval Lobão, já entregue à população, e o viaduto do Mercado do Peixe, uma obra complexa que, mesmo com as interferências típicas de áreas urbanas (redes de água, energia e desapropriações), foi finalizada com sucesso. A continuidade do contorno de Teresina prevê o lançamento dos lotes 2 e 3, incluindo a duplicação da ponte sobre o rio Poti e a conexão até o viaduto da Miguel Rosa, um ponto estratégico de intersecção das BR-316 e BR-343. Atualmente em andamento, a duplicação da saída Sul e Norte da capital, especificamente o trecho de Demerval Lobão até Monsenhor Gil, representa um investimento estimado em R$ 159 milhões que visa desafogar o intenso tráfego vindo do Sul do país. Projetos como o Contorno de Campo Maior, já em fase final, e a duplicação da via Teresina-Altos com pavimento rígido — a primeira rodovia de concreto no Piauí — demonstram a busca por soluções duradouras e inovadoras. A coordenação também gerencia a revitalização de pontes por meio do programa ProArte Manutenção, com destaque para a reabilitação da Ponte JK e das pontes sobre o riacho Meladão 1 e 2, em Floriano. Um projeto de substituição de cinco pontes de madeira por estruturas de concreto na BR-222 está em andamento, visando segurança e durabilidade. Douglas Lemos ainda detalha outros projetos estratégicos como a duplicação da BR-316 (Demerval Lobão a Monsenhor Gil), o projeto do Contorno de Picos e a duplicação entre Altos e Campo Maior. A solicitação de delegação de competências para a duplicação de Parnaíba a Luís Correia, para acesso ao porto, demonstra a visão estratégica da engenharia para o desenvolvimento portuário do estado.

CHEFIA DE SERVIÇO DE CONSTRUÇÃO COM MARIVALDO B. DE OLIVEIRA

O CONTORNO QUE ABRAÇA A CIDADE

Marivaldo Batista de Oliveira, Chefe de Serviço de Construção do DNIT/PI, está à frente de uma das obras mais complexas e transformadoras da capital piauiense: o lote 1 da triplicação do contorno de Teresina. Esta intervenção representa muito mais que uma simples ampliação viária — é uma reconfiguração completa da mobilidade urbana da região. O contorno rodoviário de Teresina, iniciado em dezembro de 2024, promete ser a obra mais transformadora desde a construção da ponte sobre o rio Poti. Dividido em três lotes estratégicos, o projeto criará uma moldura, fazendo a velocidade da moderna capital delinear a cidade histórica, transformando uma pista simples em quatro pistas que abraçarão a cidade, emulando o rio que a ajudou a dar forma. “O lote 1 da triplicação do contorno de Teresina é uma intervenção crucial para melhorar a mobilidade urbana. Com a construção de vários viadutos e faixas marginais, estamos criando uma infraestrutura que suportará o crescimento da cidade nas próximas décadas”, destaca Marivaldo, explicando a magnitude do projeto que está transformando a paisagem urbana da capital. O lote 1, com seus 5,22 km e R$ 136 milhões de investimento, incluirá quatro viadutos — três ferroviários e um rodoviário na entrada do Dirceu, o maior bairro da capital. É como se a cidade ganhasse novas pontes não apenas sobre as águas, mas sobre o tempo, conectando passado e futuro. A obra abrange a construção de múltiplos viadutos estrategicamente posicionados para eliminar conflitos de tráfego e criar fluxos contínuos. As faixas marginais complementam o sistema, oferecendo alternativas de acesso local sem interferir no tráfego de passagem. Esta configuração inovadora permitirá que o contorno funcione simultaneamente como via expressa para o tráfego de longa distância e como artéria urbana para os deslocamentos locais. O projeto do lote 1 exemplifica a engenharia urbana moderna aplicada às especificidades de Teresina, criando soluções que respeitam a geografia local — entre os rios Parnaíba e Poti — e antecipam as necessidades futuras de uma capital em crescimento. A construção dos viadutos elimina semáforos e cruzamentos em nível, garantindo fluidez e segurança ao tráfego.

CHEFIA DE SERVIÇO DE PLANEJAMENTO COM MARCELO CAVALCANTE

TRAÇANDO O FUTURO

Na percepção de Marcelo Lima Verde Cavalcante, Chefe de Serviço de Planejamento do DNIT/PI, o futuro da infraestrutura do Piauí já está desenhado. Sua rotina envolve a análise de projetos e a elaboração de Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), o ponto de partida para toda e qualquer grande obra. “Para nós é uma satisfação trabalhar no início de tudo, elaborar todos os projetos e ver aquilo materializado no campo. É bem satisfatório”, afirma Cavalcante, destacando a natureza proativa de seu setor e a realização de ver projetos saírem do papel para a realidade. Atualmente, sua equipe está finalizando a análise de um instrumento crucial para a BR-020, referente ao lote 14, um trecho de quase 300 quilômetros. O planejamento não para. Três contratos de projetos estão ativos, incluindo o contorno de Campo Maior, que se encontra em análise. Outro projeto de grande envergadura é a duplicação de Campo Maior a Altos, que teve seu início em setembro, com equipes já em campo realizando estudos e levantamentos topográficos. A tecnologia já é aliada nesse processo, com drones modernos sendo utilizados para a coleta de dados precisos. Um marco para o estado, o contorno de Altos, que faz parte do projeto Teresina-Altos, está em fase final de projeto. Esta obra é pioneira por ser o primeiro pavimento rígido do Piauí, uma demonstração do compromisso com a inovação e durabilidade. Preparando-se para licitação, estão os lotes 2 e 3 do contorno de Teresina, incluindo a construção de uma nova ponte sobre o rio Poti. Estes projetos representam a continuidade da modernização viária da capital, complementando o trabalho já iniciado no lote 1. Paralelamente, a equipe está em fase de estudos de projeto e traçado para o Contorno Sul, uma obra visionária que conectará a BR-316 no Piauí à BR-316 no Maranhão, desviando o tráfego de Teresina e melhorando significativamente a integração regional. Este projeto representa uma solução estratégica para o tráfego de longa distância, permitindo que carretas e veículos pesados contornem a capital sem impactar o trânsito urbano. A equipe de planejamento também está focada na BR-316, com a continuidade do projeto até a Estaca Zero, um trecho de grande intensidade de tráfego que demanda duplicação. A duplicação de Demerval Lobão a Monsenhor Gil já foi aprovada e licitada, e agora Cavalcante trabalha no orçamento para licitar o trecho Monsenhor Gil à Estaca Zero, fechando o pacote de melhorias da BR-316. Mesmo projetos que enfrentam contratempos são reavaliados. O contorno de Picos, por exemplo, que havia sido fracassado, terá seu EVTEA e orçamento refeitos para ser colocado novamente em licitação. Seu trabalho também se estende ao apoio a outras áreas, como a análise de Planos Anuais de Trabalho e Orçamento (PATOs) e orçamentos, garantindo que as pontes e viadutos, como o do Mercado do Peixe e a Trincheira, nasçam e se concretizem, como o contorno rodoviário de Teresina, que já foi concluído.

CHEFIA DE SERVIÇO DE OPERAÇÕES TERRESTRES COM ROGÉRIO DRUMOND

SEGURANÇA VIÁRIA E FISCALIZAÇÃO

À frente do Serviço de Operações Terrestres, o engenheiro Rogério Drumond, exercendo a função de Analista de Infraestrutura de Transportes, lida com as demandas diárias para garantir a segurança e a fluidez do tráfego nas rodovias piauienses. Sua área é o coração da atuação do DNIT, no contato direto com a malha viária, abrangendo desde a fiscalização até a gestão de questões fundiárias complexas. Durante a visita da RodoVias&Infra ao setor de Operações, Drumond explicou: “Nosso trabalho consiste na gestão da faixa de domínio, com a emissão de autorizações de acesso e uso. Desde um posto de combustível até a instalação de supermercados e indústrias, e até melhoramentos em entroncamentos. Tudo passa pela nossa análise técnica.” Ele ressalta a importância de preservar a segurança viária, pois o principal intuito de uma rodovia é “ligar o ponto A ao ponto B com segurança”. Um dos grandes desafios nesse quesito são as intervenções não autorizadas. Drumond alerta que “existem pessoas que submetem seus projetos, mas outras realizam obras sem autorização. Quando descobrimos, já estão executando conforme suas próprias ideias, gerando prejuízos à segurança. Se a engenharia não for bem planejada, aí começa o grande problema.” A necessidade de “ordenar os fluxos” é constante, considerando a natureza dos motoristas, que muitas vezes buscam o trajeto mais fácil em detrimento da segurança. Outra demanda significativa é a “questão de limites confrontantes”. Rogério Drumond detalha que “muitas vezes, proprietários de grandes fazendas buscam dividir suas terras, e os cartórios exigem documentação do DNIT. Não podem registrar terras que estejam invadindo a faixa de domínio da rodovia.” Para resolver isso, o DNIT conta com engenheiros especializados em cartografia que fazem a conferência dos limites, um trabalho meticuloso para evitar invasões, especialmente quando envolvem documentos antigos que podem “comprometer a rodovia”. No que tange à segurança viária, o setor de Operações é crucial para a implementação do Plano Nacional de Controle da Velocidade (PNCV), que concentra os estudos, projetos e obras de implantação de radares eletrônicos. Uma programação que já está em sua quarta edição. Rogério, chefe de serviço do programa, demonstra grande entusiasmo ao falar sobre a eficácia da iniciativa: “Uma vez implementados, os radares diminuem, de fato, os acidentes. Isso já é comprovado por meio de estatísticas.” Ele salienta que o programa tem sido fundamental para a melhoria da sinalização e segurança nas rodovias federais. Atualmente, o Piauí conta com 105 radares em operação, número que retornará ao patamar inicial de 120 faixas fiscalizadas com a renovação dos equipamentos. Houve uma recente transição, com o encerramento de um contrato em setembro e a iminente instalação de novos equipamentos, previstos para operar por mais cinco anos. Apesar da grande demanda por mais radares, há critérios técnicos estabelecidos por Brasília para sua instalação, focando em locais com “problema geométrico, como uma curva fechada”. Um exemplo prático foi a redução de velocidade de 60 para 40 km/h por meio de um equipamento eletrônico em uma curva perigosa que registrava acidentes e que agora não se verificam mais. Em outro programa da autarquia sob responsabilidade do Serviço de Operações Terrestres, o BR-Legal, Programa de Revitalização da Sinalização e Segurança Viária, representa um dos programas mais bem-sucedidos do DNIT no estado, com contratos empenhados e sem sofrer com falta de orçamento. A história do BR-Legal no Piauí demonstra sua importância estratégica, estando atualmente no segundo ciclo de renovação de contratos, o que reforça a eficácia da medida na redução de acidentes. As operações enfrentam desafios sazonais, como o período de chuvas, que no Piauí pode durar de 3 a 4 meses. Além disso, a coordenação com os setores das obras de manutenção e restauração é fundamental: “Tudo tem que ser coordenado com as obras de restauração e manutenção. Priorizaríamos tempo e espaço, para que a rodovia receba a sinalização assim que recuperada.” Drumond explica que não faz sentido pintar uma rodovia e, quatro meses depois, remover o pavimento para restauração. Em situações de contingenciamento orçamentário, quando a restauração é postergada, o BR-Legal atua para sinalizar e trazer segurança mesmo em pavimentos precários. Ele ainda menciona a atuação das balanças de pesagem (operadas no âmbito do Plano Nacional de Pesagem — PNP), sob sua responsabilidade, e a relevância de empresas como a SITRAN, que além de atuar mediante contrato na fiscalização de peso, também é uma das principais empresas parceiras na fabricação das novas placas de sinalização para o estado, bem como na implantação das defensas metálicas de proteção de bordo de pista. Todas essas ações têm demonstrado a abrangência e a importância do setor de Operações Terrestres na manutenção da segurança viária.

AGENTE DE TRÂNSITO ENSINANDO GERAÇÕES COM ARLY SOUSA E SILVA

EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO

Arly Mary de Sousa e Silva, Agente de Autoridade de Trânsito e membro da Equipe Nacional de Educação para o Trânsito do DNIT, é uma voz atuante na promoção de um trânsito mais seguro no Piauí. Sua missão primordial é educar, transformando comportamentos por meio da conscientização. “Precisamos fazer um trabalho com essa geração que está surgindo agora para que elas tenham um comportamento mais correto, uma atitude mais correta no trânsito”, afirma Arly, destacando a importância da educação para formar cidadãos conscientes. Ela enfatiza a necessidade de desenvolver nos jovens três pontos básicos: a percepção de risco, a consciência do risco e a atitude segura no trânsito. No Piauí, a equipe da Educação para o Trânsito que congrega servidores assim como a Arly tem se destacado nacionalmente nas suas ações, alcançando a terceira posição no ranking brasileiro com maior número de parcerias e escolas em uso das cartilhas do “Projeto Conexão DNIT”. O crescimento do programa Conexão DNIT no estado impressiona: o número de usuários cadastrados disparou de pouco mais de 100 para 906 atualmente, com a expectativa de chegar a mil até o final de 2025. Paralelamente, as parcerias formalizadas também expandiram significativamente. O estado já conta com quase 20 entidades parceiras ativas em 2025, com a meta ambiciosa de dobrar esse número até 2026. Esse crescimento reflete o engajamento crescente dos municípios piauienses com a educação para o trânsito. “O Conexão DNIT é muito mais que um programa educativo — é uma plataforma transformadora que conecta o DNIT diretamente às escolas brasileiras. Através dele, capacitamos professores para serem multiplicadores da educação para o trânsito, criando uma rede nacional de conscientização. No Piauí, estamos orgulhosos de liderar essa revolução educacional, formando cidadãos mais conscientes desde a infância”, explica Arly, destacando como o programa integra tecnologia e pedagogia para alcançar resultados efetivos. O programa Conexão DNIT formaliza parcerias com municípios para capacitar professores, que se tornam o elo principal na transmissão do conhecimento. A plataforma digital oferece conteúdos pedagógicos, jogos interativos e materiais didáticos que permitem integrar o tema trânsito de forma transversal ao longo de todo o ano letivo, do Ensino Fundamental ao Médio, e não apenas em datas específicas como o Maio Amarelo. Por exemplo, em uma aula sobre o corpo humano, o professor pode abordar a importância do capacete para proteger a cabeça, uma das áreas mais sensíveis e vitais do organismo. A equipe, composta por apenas seis pessoas, tem ampliado sua atuação no estado, dividindo-se para cobrir as regiões Norte e Sul do Piauí. A recente parceria com o Instituto Brasileiro de Direito do Trânsito (IBDTRANS) e o trabalho desenvolvido com Bernardo José Carvalho Val, Conselheiro Suplente do Instituto Brasileiro de Direito do Trânsito (IBDTRANS), constitui uma parceria estratégica do DNIT/PI na busca por um trânsito mais humano e seguro. Com sede em Brasília e atuação nacional, o IBDTRANS agora figura como embaixador do Conexão DNIT. O trabalho educativo da equipe da qual Arly faz parte é vital para reverter estatísticas alarmantes, como as 34 mil mortes no trânsito em 2023, que subiram para 36 mil em 2024. Através de eventos de culminância nas escolas, com jogos interativos, paródias e distribuição de brindes, o Conexão DNIT cria uma memória afetiva e duradoura nas crianças, incentivando-as a serem agentes de mudança no comportamento de suas famílias, como evidenciado pelo depoimento de uma aluna que escondeu a chave da moto do pai após ele beber. “Nossa colaboração visa fortalecer as ações de educação e fiscalização no trânsito, promovendo um ambiente mais seguro para todos”, destaca Bernardo. A urgência dessa parceria é reforçada por dados alarmantes no Piauí: em 2024, o estado registrou 839 mortes de motociclistas de um total de 1.158 óbitos no trânsito. O Piauí ocupa a primeira posição nacional em mortes de motociclistas por 100 mil habitantes e a terceira em óbitos envolvendo outros veículos. Esses números, divulgados pelo DataSUS, sublinham a necessidade de ações contínuas e abrangentes para salvar vidas e promover um trânsito mais humano.

FISCALIZAÇÃO E BALANÇAS MÓVEIS: PROTEÇÃO DA INFRAESTRUTURA RODOVIÁRIA

Além da educação, Arly também atua na fiscalização de trânsito, com destaque especial para a recente retomada das operações de excesso de peso nas BRs 343 e 316 utilizando balanças móveis. Esta tecnologia representa um avanço significativo na proteção da infraestrutura rodoviária piauiense. “As balanças móveis são ferramentas fundamentais para preservar nosso patrimônio rodoviário. Com elas, conseguimos atuar de forma estratégica e eficiente, protegendo o pavimento que custou milhões aos cofres públicos”, explica Arly, destacando a importância da presença de um agente de autoridade de trânsito em toda fiscalização, apoiado pela PRF, para lidar com situações desafiadoras e garantir o cumprimento da lei, inclusive na autuação por eixo. As balanças móveis permitem maior flexibilidade nas operações, podendo ser deslocadas para pontos estratégicos conforme a necessidade e o fluxo de veículos pesados. A fiscalização com esses equipamentos tem se mostrado altamente eficaz: em uma única operação, resultou na parada de mais de 100 veículos e 40 autuações por excesso de peso, demonstrando ser uma ferramenta essencial para preservar a infraestrutura das rodovias e garantir a segurança viária. “Cada tonelada em excesso que impedimos de circular é um investimento na durabilidade de nossas estradas e na segurança de todos os usuários. A fiscalização não é punitiva, é preventiva e educativa”, conclui Arly, reforçando a filosofia integrada entre educação e fiscalização que norteia o trabalho do DNIT no Piauí.

CHEFIA DE SERVIÇO DE CADASTRO DE LICITAÇÕES COM TAILÂNDIA MELO

EXCELÊNCIA E TRANSPARÊNCIA

Tailândia Melo, Chefe de Serviço de Cadastro de Licitação do DNIT no Piauí, desempenha um papel fundamental na garantia da lisura e eficiência dos processos de contratação de obras e serviços. Seu trabalho, juntamente com sua equipe, foi reconhecido com o Prêmio de Destaque Nacional no Período de 2023-2025, pelos resultados excepcionais na execução de licitações do DNIT, um reconhecimento que ressalta o compromisso do estado com a excelência. “A padronização dos nossos processos e o cumprimento rigoroso da legislação são a base para a transparência e a eficiência de todas as nossas licitações. Mantemos todos os contatos com fornecedores e licitantes via sistema, garantindo 100% de transparência e acesso público às informações”, afirma Tailândia, enfatizando a importância da integralidade e da clareza em cada etapa. O sucesso do setor de licitações do DNIT/PI é comprovado por uma performance consistente e exemplar. A equipe tem mantido um percentual de cumprimento dos padrões de processo estabelecidos pela coordenação de licitação em Brasília, frequentemente atingindo 100% de conformidade. “Inclusive, batemos 100% de conformidade processual licitatória por um bom tempo, o que significa o cumprimento integral de todo o nosso checklist de uniformização de procedimentos”, ressalta Melo, sublinhando o alto nível de excelência e a ausência de contratempos significativos. Esse rigor no processo é fundamental para a segurança jurídica e para a qualidade das obras entregues. A atuação do setor de licitações é pautada por uma rotina de trabalho “sob demanda”, atendendo às solicitações das coordenações de engenharia (COENGE) e administrativa e financeira (CAF). Desde a elaboração de editais até a homologação, cada passo é meticulosamente seguido e avaliado. “É muito bom, até porque nada é isolado. Tudo vem desde o planejamento da obra, da demanda, até chegar a nós”, explica Tailândia, evidenciando a interconexão das áreas. A transparência é uma marca registrada: os processos do DNIT/PI são acompanhados em tempo real pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Isso para nós é muito bom, uma tranquilidade sem tamanho. A diferença do direito público para o privado é que no privado você pode fazer tudo que não seja proibido por lei. No público, é o contrário: você só pode fazer o que está previsto em lei. Não há nada que dê mais segurança a um servidor público do que fazer o procedimento correto”, conclui Tailândia, ressaltando a importância da conformidade legal e da responsabilidade na gestão dos recursos públicos. A equipe ainda se mantém constantemente atualizada por meio de cursos online e materiais disponibilizados por instituições como a ENAP (Escola Nacional de Administração Pública) e o próprio TCU.

CHEFIA DE SERVIÇO DE MEIO AMBIENTE COM WILTON LUIS LEAL FILHO

SUSTENTABILIDADE E EFICIÊNCIA

Wilton Luis Leal Filho, Chefe de Serviço de Meio Ambiente do DNIT/PI, é responsável por garantir que o desenvolvimento da infraestrutura rodoviária do estado aconteça em harmonia com a preservação ambiental. Seu trabalho tem sido fundamental para transformar dois dos principais gargalos da infraestrutura brasileira — licenciamento ambiental e desapropriações — em processos eficientes e transparentes. “Nossa estratégia foi construir uma relação de confiança e transparência com os órgãos ambientais. Não tentamos acelerar artificialmente os processos. Pelo contrário, investimos em projetos ambientais de alta qualidade, estudos detalhados e cumprimento rigoroso de todas as exigências”, explica Wilton, destacando a filosofia que norteia o trabalho de sua equipe. O resultado dessa abordagem é impressionante: o DNIT/PI consegue licenças em tempo recorde — algumas em menos de dois meses, quando o prazo legal é de três meses. Um exemplo emblemático é a ponte da BR-330, onde todas as licenças foram obtidas por meio de delegação de competência para o órgão estadual, demonstrando a confiança construída entre as instituições. A BR-330 representa um marco na integração regional, sendo uma obra realizada em convênio com o Governo do Estado. Esta rodovia, quando completa, conectará o cerrado piauiense aos portos do litoral, eliminando gargalos logísticos históricos. “Nossa filosofia é simples: se você apresenta um projeto tecnicamente correto, ambientalmente responsável e cumpre rigorosamente todas as condicionantes, os órgãos ambientais se tornam parceiros, não obstáculos”, ressalta Wilton. Essa abordagem colaborativa tem se mostrado eficaz mesmo em situações desafiadoras. Quando houve questionamento pelos órgãos de controle na véspera de uma licitação da BR-316, a resposta foi imediata: suspensão da licitação, reunião técnica e esclarecimento de todos os pontos, resultando em liberação imediata e relacionamento fortalecido. No processo de desapropriações, Wilton e sua equipe desenvolveram uma metodologia que se tornou referência nacional, baseada em transparência total e comunicação constante. “Estabelecemos múltiplos canais de comunicação com os expropriados: WhatsApp, telefone direto, reuniões presenciais. Explico pessoalmente todo o processo desde o primeiro contato”, detalha Wilton, que mantém contato direto com expropriados diariamente. A estratégia inclui duas opções claras: aceitar o valor da avaliação do DNIT e receber administrativamente, ou discordar e ir para a Justiça, onde se deposita 50% do valor com imissão de posse imediata. Esta transparência tem resultados comprovados: nas 79 desapropriações da BR-235 (Santa Filomena–Alto Parnaíba), 68 foram pagas administrativamente, com apenas 11 pendências por questões documentais. O trabalho de Wilton exemplifica como a gestão socioambiental pode ser um facilitador, não um obstáculo, para o desenvolvimento da infraestrutura, desde que seja conduzida com competência técnica, transparência e respeito às pessoas e ao meio ambiente.

UNIDADES LOCAIS: O CORAÇÃO DA REDE RODOVIÁRIA PIAUIENSE

As Unidades Locais (ULs) do DNIT são a ponta de lança da atuação da autarquia, responsáveis por gerenciar e fiscalizar as obras e a infraestrutura rodoviária diretamente nas regiões. Elas representam a presença do DNIT em campo, adaptando as diretrizes nacionais às realidades locais e garantindo a execução eficiente dos projetos. A RodoVias&Infra conversou com as Unidades Locais do Piauí para conhecer de perto o trabalho desenvolvido por cada equipe.

LOCALIDADE TERESINA/PI ANTONILDES MARQUES CARDOSO

Teresina, fundada em 1852, é a única capital nordestina localizada no interior, o que lhe confere uma posição geográfica estratégica entre os rios Parnaíba e Poti. Com uma população estimada em 868.075 habitantes (2020), a cidade concentra mais de 45% do PIB do estado, destacando-se nos setores de serviços e indústria. A presença de instituições de ensino superior e centros de pesquisa impulsiona o desenvolvimento tecnológico e econômico da região. À frente da Unidade Local de Teresina, Antonildes Marques Cardoso, analista em infraestrutura e transportes do DNIT desde a primeira turma de 2006, ocupa a função de Chefe de Serviço, trazendo consigo uma vasta experiência adquirida em diversas regiões do país, incluindo o Pará (Transamazônica) e Altamira. “Gerenciar a infraestrutura da capital, uma porta de entrada para o Norte do país, exige soluções criativas e adaptação constante. Nosso desafio é harmonizar o crescimento urbano com a expansão necessária das vias, transformando Teresina em um modelo de mobilidade e desenvolvimento sustentável”, declara Antonildes à RodoVias&Infra, ressaltando a complexidade de sua missão. A UL de Teresina é estratégica, totalizando aproximadamente 45% da população do Piauí, estendendo-se do limite norte da capital até o município de Valença, ao sul, e incluindo cidades como Demerval Lobão, Lagoa do Piauí, Monsenhor Gil, Barro Duro, Passagem Franca e Bom Jesus. Teresina, apesar de ser uma capital do Nordeste, não está no litoral e funciona como um ponto de passagem natural, conectando o Nordeste à região Norte do país. Essa característica gera um fluxo veicular intenso, transformando a cidade em uma espécie de hub logístico em potencial. O crescimento urbano da capital, limitado a oeste pelo Rio Parnaíba (que a separa do Maranhão), direcionou-se para leste (Altos) e sudeste (Monsenhor Gil e Demerval Lobão), integrando municípios vizinhos à macroregião. Bairros populosos como o Grande Dirceu, na região Sudeste, surgiram após o planejamento original de rodovias como a BR-343 e a BR-226 na década de 1970, criando a necessidade de adaptação da infraestrutura existente. A experiência de Antonildes remonta à construção de infraestruturas rurais, como rodovias de classe 2, com desafios como pontes de madeira e bueiros precários. Em contraste, em Teresina, o desafio principal é a adequação da capacidade de rodovias já consolidadas, o que implica em restrições muitas vezes impopulares. A unidade mantém um diálogo contínuo com a municipalidade e o governo do estado para integrar as operações, já que intervenções na capital afetam diretamente postos fiscais e a logística estadual. Antonildes descreve a Unidade Local como um “laboratório” dentro da superintendência, com uma equipe altamente preparada, incluindo técnicos e agentes de trânsito que atuam na mitigação de problemas, remanejamento de estruturas e diálogo humano com as comunidades afetadas. Entre os maiores empreendimentos sob a tutela da UL de Teresina, destacam-se a duplicação Teresina–Demerval Lobão, concluída em 2024, o contorno de Teresina e a duplicação Teresina–Altos, que inclui uma pista em pavimento rígido e o reforço da pista existente com whitetopping. A gestão de contratos é complexa, com a UL de Teresina administrando um contrato de manutenção que se estende de Teresina até Valença, no quilômetro 212 da BR-316. Além disso, a unidade gerencia contratos de manutenção de faixa, controle de ocupação e pesagem, supervisão de conservação, e o contrato de implantação do Lote 1 da duplicação, com expectativa de licitação dos Lotes 2 (ponte) e 3 (continuação até a BR-316). Antonildes relembra a história da cidade, mencionando seu avô, que trabalhou na construção de uma ponte sobre o rio Poti, a Ponte JK, mostrando como Teresina sempre se expandiu além de seus limites originais. “O contorno, quando foi pensado, era um contorno de fato. Hoje é um acesso”, ilustra ele, referindo-se à evolução da infraestrutura que acompanha o crescimento da cidade.

UM POUCO DAS ULS

As áreas de atuação da Unidade Local vão além da engenharia construtiva:

• Apoio Administrativo: Presta suporte às demandas da população, especialmente em situações de desapropriação, remanejamento e notificação de ocupações irregulares na faixa de domínio.

• Atendimento Jurídico: Auxilia a Procuradoria Federal em demandas técnicas e jurídicas relacionadas a acidentes e litígios.

• Gestão de Tráfego: Atende a cidadãos e órgãos de trânsito, como o caso da reclamação sobre a Ponte da Tabuleta, que liga Timon a Teresina, onde uma das pontes estava interditada, sobrecarregando as outras. A busca por novas vias de ligação é constante, dada a grande quantidade de moradores de Timon que trabalham em Teresina.

LOCALIDADE PICOS/PI ELVOMARTON DAMIÃO LIMA

Picos, carinhosamente conhecida como a “Capital do Mel”, é um importante polo comercial e educacional no centro-sul do Piauí. Com uma população de aproximadamente 80 mil habitantes, a cidade se destaca como a maior produtora de mel do Brasil e por sua localização estratégica, servindo como entroncamento rodoviário que conecta diversas regiões do estado. À frente da Unidade Local de Picos, Elvomarton Damião de Araújo Lima gerencia uma malha rodoviária de aproximadamente 700 quilômetros, que inclui importantes BRs como a BR-316, BR-407, BR-020 Sul, BR-020 Norte e BR-230. “Nosso compromisso em Picos vai além da simples manutenção. Com uma malha de 700 quilômetros sob nossa fiscalização, garantimos que a Capital do Mel continue sendo um eixo vital de desenvolvimento, com rodovias seguras e eficientes que impulsionam a economia e a qualidade de vida local”, afirma Elvomarton, reforçando a importância de sua equipe. Seu dia a dia é focado na fiscalização dos contratos de conservação e manutenção, garantindo a qualidade e segurança das estradas. Atualmente, a UL Picos fiscaliza quatro empresas, com a expectativa de chegada de mais uma ou duas, totalizando seis contratos sob sua supervisão. Estes contratos abrangem serviços essenciais como tapa-buracos, recomposição de pavimento, capina, limpeza e desobstrução de elementos de drenagem, limpeza de faixa de domínio, poda de árvores e serviços emergenciais. Além disso, a unidade é responsável por contratos de sinalização. Secundariamente, a equipe de Elvomarton atua na gestão da faixa de domínio, monitorando invasões, liberando acessos e interagindo com prefeituras e o governo estadual para atender a demandas locais, como sinalização e redutores de velocidade. Ele exemplifica a diversidade de atuação: “Qualquer circunstância envolvendo uma rodovia numa travessia urbana por um município” é de responsabilidade da UL Picos. Em termos de contratos específicos, a UL Picos conta com contrato de manutenção (que deverá somar-se a mais dois novos, em licitação) e dois contratos do BR-Legal (um com a SIGLA Engenharia e outro com a SITRAN). A ETHOS Engenharia é responsável pelos contratos da BR-316 (entre Marcolândia e a divisa Piauí–Ceará, cerca de 200 km) e da BR-020 Norte (84 km), contratos de manutenção que estão sendo prorrogados. A CivilPav detém um contrato de manutenção para a BR-407, no trecho entre Patos e Acauã, na divisa Piauí–Pernambuco, com aproximadamente 120 km. Elvomarton também menciona a BR-230, que, embora não esteja sob sua fiscalização direta, gera demandas que passam pela UL Picos. Há um segmento de 54 km da BR-203, entre a BR-316 e a divisa com o Ceará, que pertence ao mesmo contrato de manutenção. A BR-020 Sul, com cerca de 220 km, é um trecho funcional e popular, e a unidade aguarda a implantação de um complemento que fará a federalização de um trecho estadual, buscando um traçado mais adequado aos padrões federais. A atuação da UL Picos, sob a liderança de Elvomarton Damião de Araújo Lima, reflete o compromisso do DNIT em manter e melhorar a infraestrutura rodoviária da região, garantindo a segurança dos usuários e contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico local.

LOCALIDADE FLORIANO/PI JOSÉ CARVALHO FILHO

Floriano, situada às margens do Rio Parnaíba, é uma cidade de grande relevância histórica e econômica no sul do Piauí. Com uma população de aproximadamente 62 mil habitantes, sua posição estratégica facilita o acesso a diferentes regiões, tornando-a um ponto crucial na logística estadual. A cidade é um elo importante na malha rodoviária do estado, conectando diversas BRs. Na Unidade Local de Floriano, José Carvalho Filho é o Supervisor, responsável por uma malha viária significativa sob sua jurisdição. “São 1.100 km sob nossa responsabilidade, o desafio em Floriano é contínuo. Nosso foco é a excelência na elaboração de projetos e na execução dos contratos de manutenção, garantindo que nossas estradas reflitam o padrão de 90% de ICM que o Piauí alcançou, promovendo segurança e eficiência para todos os usuários”, destaca José Carvalho Filho, evidenciando o orgulho pelos resultados da região. Sua rotina envolve a elaboração e atualização de projetos, garantindo que as normas técnicas sejam rigorosamente seguidas e que a equipe esteja sempre atualizada. A missão da chefia inclui, ainda, a gestão e o desenvolvimento dos demais servidores da unidade local. A UL de Floriano fiscaliza múltiplos contratos de manutenção, que contribuem para a alta qualidade da malha rodoviária, com um Índice de Condição de Manutenção (ICM) de 90%, um resultado considerado “muito bom”. Os serviços em andamento incluem a fresagem de 2,5 km na BR-343 para a aplicação da primeira camada de pavimento, parte de um esforço contínuo de restauração. Além disso, a unidade é responsável pela fiscalização do contrato de sinalização do programa BR-Legal, garantindo a adequada divisão e execução dos serviços. O trabalho da equipe de Floriano é essencial para a manutenção da infraestrutura, impactando diretamente a segurança e o desenvolvimento da região sul do Piauí.

LOCALIDADE PIRIPIRI/PI HARLAN JACKSON DE LIMA

Piripiri, localizada no norte do Piauí, é uma cidade de grande importância estratégica na infraestrutura rodoviária do estado. Com uma população de aproximadamente 65 mil habitantes, a cidade se destaca pela produção têxtil e pelo turismo, especialmente devido ao Parque Nacional de Sete Cidades, um dos principais atrativos turísticos do estado. A cidade também abriga a maior população indígena do Piauí, com 1.370 pessoas, conforme dados do IBGE de 2022. A Unidade Local (UL) de Piripiri desempenha um papel crucial na infraestrutura rodoviária do Piauí, especialmente por sua localização estratégica na BR-343, principal via de acesso ao litoral do estado. Durante feriados e finais de semana, essa rodovia registra um aumento significativo no fluxo de veículos, com muitos piauienses e turistas se dirigindo às praias da região. Além disso, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) intensifica a fiscalização nas rodovias durante períodos de maior movimento, como a Semana Santa, para garantir a segurança dos usuários. A BR-343, sendo a principal rota para o litoral, recebe atenção especial nessas operações. À frente da Unidade Local de Piripiri, Harlan Jackson de Lima supervisiona uma importante porção da malha rodoviária que conecta a região norte do estado ao litoral piauiense, sendo estratégica tanto para o desenvolvimento local quanto para o turismo regional. “Nossa responsabilidade em Piripiri vai muito além da manutenção rotineira. Somos guardiões da principal porta de entrada para o paraíso litorâneo piauiense. Nos finais de semana e feriados, nossa rodovia se transforma na estrada dos sonhos de milhares de famílias que buscam o descanso merecido nas praias. É uma missão que carregamos com muito orgulho”, destaca Harlan Jackson de Lima, ressaltando o compromisso com a excelência na gestão rodoviária e a importância social de seu trabalho. A UL de Piripiri, sob a supervisão de Harlan Jackson de Lima, tem sido fundamental na manutenção e melhoria das condições da BR-343, assegurando que a rodovia suporte o aumento de tráfego durante os períodos de pico e continue a servir como uma via eficiente para o deslocamento ao litoral piauiense. A unidade também é responsável pela gestão de outras rodovias estratégicas da região norte, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico local e fortalecendo o turismo estadual.

O SONHO VISIONÁRIO DO CONTORNO SUL

Se o contorno rodoviário já impressiona, o projeto do Contorno Sul é pura poesia urbana transformada em engenharia. Com investimento estimado em R$ 300 milhões, esta rodovia de 27 km será como um novo rio — não de água, mas de asfalto — que permitirá às carretas contornarem a cidade sem perturbar a vida cotidiana dos teresinenses. Fazendo esse contorno, Teresina se tornará um “brinco”, com 30 anos para crescer com tranquilidade, pois só terá automóveis no centro urbano, projetam os gestores com a mesma paixão de um poeta descrevendo sua terra natal. A ponte sobre o Parnaíba, com 600 m de extensão, será mais que uma obra de engenharia: será o símbolo da integração definitiva entre Piauí e Maranhão, como uma nova versão da lendária ponte dos suspiros que conecta corações apaixonados.

DA “RODOVIA DA MORTE” AO RENASCIMENTO

Longe da capital, nas estradas que cortam o sertão piauiense, uma das transformações mais drásticas aconteceu na BR-135. Como uma fênix que renasce das cinzas, a rodovia que era conhecida nacionalmente como “rodovia da morte” hoje é considerada a melhor rodovia do estado. Entre 2015 e 2017, ela ceifou 50 vidas, “mais que as secas históricas do sertão”, segundo afirmam alguns locais. O problema era estrutural: pista estreita de 6 metros, acostamentos precários e degraus mortais de até 47 centímetros. A solução exigiu R$ 400 milhões e a determinação de quem não aceita que o progresso cobre vidas como tributo. O resultado é que, entre 2022, 2023 e 2024, foram registrados zero acidentes por defeito da pista. Hoje, a rodovia flui mais suave pelos 430 km que conectam Eliseu Martins à divisa com a Bahia.

REVOLUÇÃO DO CONCRETO: INOVAÇÃO QUE BROTA DA TERRA VERMELHA

No trecho Teresina-Altos, uma revolução tecnológica está nascendo da terra vermelha piauiense. Pela primeira vez no Piauí, o DNIT implementa pavimentação em concreto — R$ 198 milhões investidos em 20,76 quilômetros que durarão tanto quanto as tradições passadas de geração em geração. Enquanto o asfalto tradicional resiste de 10 a 15 anos, “como uma quadrilha junina que dura apenas uma temporada”, o concreto permanecerá de 40 a 50 anos, “como as mangueiras seculares que sombreiam as praças da cidade”. É a modernidade criando raízes profundas na terra que viu nascer poetas aquilatados como Antônio Francisco da Costa e Silva.

CULTURA DA EFICIÊNCIA: O JEITO PIAUIENSE DE FAZER ACONTECER

A estratégia de segmentação de projetos revela um traço cultural piauiense: a paciência e a persistência. Em vez de grandes obras concentradas que podem fracassar, “como plantios em terra seca”, o DNIT local divide os investimentos em trechos menores, cultivando cada projeto com o cuidado de quem “planta cajueiros”. Teresina, a cidade que nasceu do sonho de um presidente de província e cresceu entre dois rios, hoje se prepara para ser o prumo de uma nova era nordestina. Com suas obras de infraestrutura, a capital piauiense não apenas resolve problemas de mobilidade: reconstrói sua identidade como portal de entrada para o desenvolvimento sustentável do Nordeste. “Venha conhecer o Piauí de hoje: onde as pinturas rupestres de mais de 50 mil anos da Serra da Capivara dialogam com a mais moderna engenharia rodoviária do país. Aqui, você pode tomar a cajuína mais pura do mundo pela manhã, atravessar pontes que conectam estados à tarde, e assistir ao pôr do sol mais belo do Nordeste nas dunas do litoral. Este é o Piauí que estamos construindo: um estado que honra sua história milenar enquanto pavimenta o futuro”, convida o superintendente Ribamar Bastos, com o orgulho de quem vê sua terra natal se transformar em referência nacional. Dos festivais coloridos, onde a tradição se encontra com a inovação, Teresina escreve um novo capítulo de sua história. É a capital que renasce, não negando suas raízes, mas plantando sementes de um futuro em que o progresso e a qualidade de vida caminham juntos pelos bulevares que um dia a tornaram famosa. O Piauí, a exemplo de sua capital, enfim, não apenas constrói estradas: pavimenta caminhos para que gerações futuras possam sonhar ainda mais alto, sabendo que sua terra natal é capaz de transformar desafios em oportunidades, limitações em vantagens, e sonhos em realidade.