Goiás em Movimento: A Revolução Infraestrutural
Médico de formação, fazendeiro de raízes goianas e político de fibra inabalável, Ronaldo Caiado ergueu-se das veredas do agro para os corredores do poder. Ex-deputado federal e senador combativo, assumiu o Palácio das Esmeraldas em 2019 ante um Estado afogado em dívidas e estradas esburacadas. Com visão cirúrgica, resgatou a Goinfra das garras da corrupção, pavimentou 100% dos 246 municípios e tecendo uma malha viária de alto padrão que impulsiona o agro, a indústria e a vida do povo. Sete anos de legado: de pontes há 58 anos sonhadas a hospitais oncológicos recorde, de segurança com “tolerância zero” ao equilíbrio fiscal que atrai investimentos bilionários. Caiado não constrói apenas asfalto ̶ forja o futuro de Goiás, unindo técnica, transparência e o pulsar municipalista que transforma o Centro-Oeste em coração logístico do Brasil.

RodoVias&Infra: Quando o senhor assumiu o governo, qual era o diagnóstico real da infraestrutura estadual e quais decisões foram essenciais para iniciar a transformação observada hoje?
Ronaldo Caiado: O diagnóstico do Estado, como um todo, era devastador. Goiás tinha dívidas milionárias, folhas de pagamento atrasadas. Como era de se esperar, a infraestrutura também estava em estado de abandono. A então Agetop, hoje Goinfra, havia se tornado um ambiente propício para o desvio de recursos. O primeiro passo foi fazer um raio-X da situação: mais de 4 mil quilômetros de malha viária em péssimas condições de tráfego, mais de 50 obras paralisadas, contratos de manutenção sem saldos. Depois, trabalhamos para sanear a empresa a partir de uma auditoria rigorosa; fortalecimento do controle tecnológico; implantação de novos padrões e capacitação do corpo técnico. Aos poucos, conseguimos resgatar a credibilidade da agência. Os pagamentos começaram a ser realizados em dia, o que devolveu confiança às empresas contratadas e criou um ciclo virtuoso e eficiente. Sete anos depois, temos uma agência respeitada, inteiramente técnica, com empreendimentos em execução por todo o território goiano e expectativa de investimento de R$ 3,5 bilhões somente em 2026. E o principal: obras com datas para início e conclusão sendo respeitadas, num padrão de qualidade nunca antes visto nesse Estado.
Goiás vive um ciclo expressivo de investimentos públicos. Qual foi a estratégia adotada para conciliar responsabilidade fiscal e capacidade de execução?
Era impossível para um Estado pujante como Goiás continuar vivendo com tanta desordem. A conta não fecha. Por isso, uma das primeiras atitudes de nossa gestão foi lutar pela adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que veio em 2021 e nos auxiliou na superação dos graves desequilíbrios financeiros. Depois, migramos para o Propag, Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, que nos dá fôlego para investir na infraestrutura. Mas lógico que isso, sozinho, não resolve. É preciso gestão inteligente. E o diferencial do Governo de Goiás está no compromisso com o uso do recurso público, no planejamento dos gastos, na transparência e na credibilidade construída ao longo dos anos junto a prestadores de serviço e às classes políticas e empresariais. Paralelo a isso, criamos o Programa de Compliance Público. Assim como em todos os órgãos do Estado, na Goinfra a iniciativa foca em quatro eixos: Ética, Transparência, Responsabilização e Gestão de Riscos. Essa ação coordenada tem garantido a integridade dos atos de gestão e obras públicas.
De que forma a infraestrutura deixou de ser apenas um setor de obras e passou a ser uma política de desenvolvimento de Estado?
A palavra-chave é planejamento. Não dá para encarar obras públicas como medidas emergenciais. Elas precisam ter diretrizes claras e específicas. Dito isso, nós deixamos de tratar a infraestrutura como obra isolada e passamos a encarar como estratégia de desenvolvimento. Em Goiás, cada investimento é planejado para gerar competitividade, atrair empresas e melhorar a vida das pessoas nas mais diversas áreas. Sobre as rodovias goianas, passamos a enxergá-las como vetores de crescimento econômico e criamos grandes corredores de escoamento de produção. De que forma? Ligando a artérias importantes, como BRs, que levam a ferrovias e portos. Temos estudos que dizem que, para cada real investido na malha viária, a receita bruta cresce em torno de R$ 3 na região atendida.
A melhoria da malha rodoviária impacta diretamente o agronegócio, a indústria e o turismo. Como avalia essa relação entre logística e crescimento econômico?
Essa relação é direta, ainda mais no caso de Goiás, que tem localização estratégica no coração do país. Modéstia à parte, sabemos como aproveitar isso. Sem logística, não existe competitividade. Quando o Estado investe na melhoria da malha rodoviária, ele reduz custos, encurta distâncias e dá previsibilidade para quem produz e para quem investe. Hoje, a situação das rodovias goianas é impecável. Trocamos o chamado “asfalto sonrisal” por asfalto de verdade, que não se desmancha na primeira chuva. Isso dá a segurança para o produtor, que conseguirá escoar as cargas de maneira célere. Também atrai novas indústrias, porque os investidores sabem identificar um bom território para erguer patrimônio. A consequência disso é geração de emprego e renda. Consequentemente, um Estado mais rico é mais desenvolvido e com melhor qualidade de vida para sua população.
Ao percorrer o interior, que mudanças práticas o senhor percebe na vida das pessoas após a chegada das obras?
Em 2021, estive em Caçu, no Sudoeste goiano, para inaugurar uma ponte que a comunidade local esperou por 58 anos. Um repórter me questionou por que viajei até lá para inaugurar uma estrutura relativamente pequena, de oito metros de extensão. Foi quando um senhor, morador do município, interrompeu e disse: “Você pergunta porque não mora do lado de lá do rio. Quando dá enchente, não tenho como carregar meus filhos que adoecem para atendimento, nem levar o leite que tiro para vender. Não dá para ir até a cidade, nem comprar remédios. Fico ilhado”. Então, a percepção do tamanho da obra é de acordo com a necessidade. Da mesma forma, uma policlínica muda a vida de milhares de pacientes, que passam a ter atendimento sem precisar viajar a grandes centros. Ou a inauguração de uma escola estadual, que abre vagas para centenas de crianças de uma determinada localidade. A infraestrutura transforma o dia a dia de muita gente, por isso deve ser tratada com total responsabilidade, imparcialidade e estratégia.
Existe alguma região do Estado que simbolize melhor a transformação promovida nos últimos anos?
A transformação pode ser percebida em qualquer canto deste Estado, sem distinção. Mas, sem dúvida, existem aquelas regiões que por décadas foram negligenciadas, como o Norte e Nordeste goianos, e também o Entorno do Distrito Federal. Nessas localidades, a transformação é impressionante. Para se ter uma ideia, quando assumi o Estado, dois municípios não tinham sequer acesso por asfalto: Guarinos e Bonópolis. Era estrada de terra. Hoje, 100% dos municípios goianos são integrados por rodovias estaduais pavimentadas, com asfalto de alto padrão. Além da infraestrutura rodoviária, temos inúmeras entregas estruturantes, como hospitais regionais e policlínicas, escolas, unidades prisionais e centros socioeducativos, ginásios esportivos, entre tantos outros.
A Goinfra tem sido apontada como um dos principais braços executores da gestão. Qual foi o papel estratégico da agência para garantir ritmo e eficiência nas entregas? Na sua visão, o que diferencia o modelo de atuação da Goinfra e permitiu alcançar resultados expressivos em obras e manutenção?
Diferente de gestões passadas, a Goinfra hoje é um órgão técnico, sem influências ou direcionamentos políticos. Os diretores são técnicos, servidores efetivos, com anos de vivência na infraestrutura. É uma agência composta por gente que sabe o que faz. E isso dá uma outra dimensão para o trabalho e os resultados. A partir do momento em que as interferências externas deram espaço para a atuação técnica, começamos a colher os frutos. Depois do saneamento da agência, o pagamento em dia dos contratos de prestação de serviço elevou nosso patamar de exigência, e passamos a cobrar não só qualidade, como respeito ao cronograma de entregas. Esse é o diferencial. Na Goinfra de hoje, as obras têm data para começar e terminar. Outro detalhe importante é que não temos nenhuma obra paralisada no Estado.

A RodoVias&Infra entrevistou recentemente quase todos os diretores da Goinfra e observou que a maior parte das lideranças possui perfil técnico, muitas delas oriundas do próprio quadro do órgão. Como o senhor enxerga a importância de fortalecer estruturas técnicas como a Goinfra para garantir continuidade administrativa, eficiência na execução e estabilidade das políticas públicas ao longo do tempo?
Nós valorizamos os servidores do Estado e garantimos espaço para técnicos que estão há anos contribuindo com o desenvolvimento de Goiás, para que possam ir além. Tem sido assim nas secretarias e autarquias, e não é diferente na Goinfra. Temos um corpo técnico altamente capacitado, em constante aperfeiçoamento, que hoje está à frente de diretorias e de cargos estratégicos na agência. Gente que trabalha com seriedade e apresenta resultados satisfatórios.
Nas recentes divulgações do Governo, chama atenção o destaque dado à qualidade técnica aplicada nas obras de pavimentação “Padrão Governo Caiado”. Qual a importância de investir em asfalto de maior qualidade para garantir durabilidade, segurança e melhores resultados para a população?
Obras públicas precisam de qualidade. De que adianta recapear uma rodovia com asfalto de segunda linha? A deterioração surge em questão de meses. Gestor público precisa entender que está ali a serviço da população. Estamos trabalhando com o dinheiro do cidadão, para o cidadão. É preciso zelo, compromisso e respeito. Por isso é que, no meu governo, só se mexe numa rodovia se for para entregar o melhor. A maioria das rodovias que estamos construindo têm um piso de mais de 10 centímetros de espessura de massa de cimento e asfalto, o chamado Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ). A lógica é simples: quanto melhor a qualidade, maior a durabilidade e menor o desperdício de recursos públicos. E os benefícios vão além: refletem diretamente na segurança viária, na eficiência logística para o setor produtivo e na qualidade de vida da população.
O programa Goiás em Movimento consolidou diferentes frentes de atuação, como Municípios, Estruturas e ações voltadas às comunidades quilombolas, ampliando o alcance da infraestrutura para além das grandes obras. Na sua visão, qual é o papel desse programa dentro da estratégia de desenvolvimento do Estado e de aproximação do governo com as realidades locais?
Todos sabem que nosso governo é municipalista, atendemos aos 246 municípios goianos, independentemente de bandeira política. Os prefeitos precisavam dessa parceria e o nosso governo está com as mãos estendidas para contribuir. Nesse contexto, o Goiás em Movimento é o maior programa de transferência de recursos para infraestrutura já realizado pelo Estado. Não beneficiou somente as comunidades quilombolas. Estamos falando de milhões de goianos afetados positivamente com as ações do programa, que hoje têm asfalto de qualidade na porta de casa. Desde o lançamento, em meio à pandemia de Covid-19, já chegamos a mais de 240 municípios com um asfalto que o cidadão vê a qualidade. A maioria das cidades foi atendida duas, três, quatro vezes. É uma ação que começou como uma espécie de socorro às prefeituras e se firmou como um suporte indispensável à infraestrutura municipal. Mais que recuperar asfalto de ruas e avenidas, iniciamos novos eixos, com o Goiás em Movimento Estruturas, que implanta travessias e bueiros, e o Patrulhas Mecanizadas, que disponibiliza maquinário pesado, operários, transporte e gasolina para a realização de serviços de manutenção nas estradas vicinais, municipais, não pavimentadas da zona rural. Os locais que recebem as obras são decididos pelas prefeituras, porque elas é que sabem dos gargalos. Todas essas obras, que chegam direto aos moradores, não custam nada para as gestões municipais; é tudo recurso estadual.

Goiás ganhou destaque nacional em segurança pública. Como infraestrutura e mobilidade entram como aliados dessa estratégia?
Temos pulso firme e tolerância zero com o crime. A primeira tese que defendi quando assumi a gestão do Estado, em 2019, foi: “Ou bandido muda de profissão, ou muda de Goiás”. A partir disso, estruturamos a segurança em três pilares: integração das forças policiais, preparo do efetivo e controle rigoroso do sistema prisional. Fizemos um verdadeiro pente-fino nos presídios, acabando com privilégios e impedindo a comunicação do crime organizado de dentro das unidades. É nesse contexto que infraestrutura e mobilidade entram como aliadas estratégicas. Investimos na entrega de equipamentos públicos, como novas unidades prisionais com padrão de segurança máxima, garantindo mais controle e eficiência no sistema. Além disso, a melhoria das rodovias e da logística do Estado fortalece diretamente a atuação policial, permitindo respostas mais rápidas, maior presença no interior e melhor monitoramento das ocorrências. Os resultados são claros: chegamos ao sétimo ano consecutivo de queda nos principais índices de criminalidade. Um exemplo é o combate ao chamado Novo Cangaço, que antes era recorrente em cidades do interior e hoje não registra nenhum caso desde 2019. Também criamos o Batalhão Rural, especializado na proteção do campo, com resultados expressivos na redução de crimes nessa área.

Obras civis na área da saúde e equipamentos públicos mostram uma ampliação do conceito de infraestrutura. Como essas áreas dialogam dentro do governo?
Infraestrutura e saúde são totalmente interligadas nessa gestão. Não dá para fazer saúde sem infraestrutura. E é por isso que essa área vivia por anos numa situação tão precária. Desde que assumi o governo, tracei a meta de promover a regionalização da saúde. É inadmissível imaginar que um Estado grande, em território e importância, tivesse leitos de UTI somente em Goiânia, Aparecida e Anápolis. Com planejamento e boa aplicação dos recursos públicos, nós mudamos essa realidade. Antes, o mínimo constitucional obrigatório para a saúde era de 12,1%, mas passamos a aplicar 15,08%. Entregamos seis policlínicas, sete hospitais e, com isso, ampliamos o número de vagas via SUS. Para se ter uma ideia, a terapia intensiva saltou de 267 leitos de UTI para 790. Outro exemplo da eficiência nessa relação entre infraestrutura e saúde é a inauguração do Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora). Construído em um tempo recorde de 25 meses, com o que há de mais moderno em estrutura, tecnologia e medicina, esse hospital é especializado no atendimento de crianças e adolescentes com câncer. Hoje, temos em Goiânia um dos mais modernos hospitais para tratamento oncológico do país.
Grandes projetos ultrapassam mandatos. Como o senhor estruturou políticas para garantir continuidade dos investimentos nos próximos ciclos?
Construímos um verdadeiro legado em sete anos de gestão, mas entendo que grandes projetos ultrapassam mandatos e exigem responsabilidade com o futuro. Ao longo de sete anos, contornamos as dívidas, retomamos e concluímos mais de 50 obras rodoviárias e civis que estavam paralisadas e levamos infraestrutura para todas as regiões goianas. Com a casa arrumada e o Estado em equilíbrio fiscal, avançamos para um novo patamar: deixamos um planejamento estratégico consistente, com intervenções técnicas já mapeadas e priorizadas. Tudo isso para garantir que os próximos governos tenham um caminho claro a seguir, com projetos estruturados, viáveis e alinhados às necessidades da população, o que vai impulsionar ainda mais o desenvolvimento de Goiás.