Conciliando duas qualidades aparentemente incompatíveis, juventude e experiência, o popular e simpático vice-governador do estado da Paraíba, com apenas 36 anos, representa a face de um novo estilo de executivo na administração pública. Talhado na vivência do dia a dia da administração, como nas visitas que fez questão de mostrar à RodoVias&Infra aos mais recônditos lugarejos, em vídeos gravados no seu celular, o também professor tem na facilidade de sua conversação um trunfo importante enquanto ouvinte da vontade da população de seu Estado. Exatamente a partir dessas prerrogativas é que ele recebeu uma de nossas equipes para a entrevista que você lê neste momento.

RodoVias&Infra: Como o senhor avalia sua participação nesta gestão e os avanços da Paraíba, especialmente na infraestrutura, que tem se destacado tanto nos últimos anos?
Lucas Ribeiro: Para mim, é uma grande satisfação fazer parte da gestão atual. A Paraíba é hoje uma referência, o Estado que mais cresce no Nordeste, e na área de infraestrutura, lideramos. O ranking do Centro de Liderança Pública (CLP), que analisa diversos itens de infraestrutura, coloca a Paraíba entre os primeiros do País. Isso reflete o volume impressionante de obras e ações que temos realizado.
Eu fico muito feliz de poder visitar obras, inaugurar projetos. E isso vai desde grandes empreendimentos, como o Complexo Ponte do Futuro em Cabedelo, um complexo rodoviário cuja dimensão muita gente nem esperava que se tornasse realidade, e que agora é, até obras menores, mas de impacto gigantesco para as comunidades.
O senhor mencionou as “passagens molhadas” como um exemplo de obra menor. Poderia explicar o que são e qual o impacto delas para a população rural?
Uma passagem molhada é uma estrutura que construímos em rios que podem ser perenes ou secar. Quando o rio sobe, devido às chuvas, o fluxo da estrada que passa por ali é interrompido. A passagem molhada é uma via elevada com tubulações por baixo, permitindo que o rio continue seu curso e as pessoas possam atravessar.
Ela não é uma ponte tradicional, mas uma estrutura firme que garante o acesso, mesmo com o nível da água mais alto, usando guias laterais para balizamento. Muitas vezes, é uma obra que quem não vive no campo não conhece, mas para as comunidades rurais, ela é transformadora.
Por meio do Projeto Cooperar, que é um programa com empréstimo do Banco Mundial, construímos mais de 200 passagens molhadas só nos últimos anos. Quando você entrega uma dessas, vê o testemunho das pessoas. Lembro-me de uma secretária de educação em Princesa Isabel que, antes, tinha que atravessar rios com água na cintura ou dar grandes voltas para chegar à escola.
Para essas pessoas, a passagem molhada é a obra mais importante, é o que muda a realidade no dia a dia local, impactando diretamente o escoamento da produção e o acesso a serviços.
O volume de investimentos em obras é notável. Qual o impacto financeiro e o que isso representa para o crescimento do Estado?
Nosso custo mensal de medição e pagamento de obras tem chegado a R$ 200 milhões. Só o DER-PB investe cerca de R$ 70 milhões por mês. Isso demonstra que o Estado está crescendo, está forte e está construindo. Temos muitas estradas novas hoje, o que mostra o dinamismo da nossa economia e a capacidade de investimento da gestão.
Como a gestão aborda a infraestrutura em uma perspectiva municipalista, especialmente com programas como o Travessias Urbanas?
As ações da nossa gestão são muito municipalistas. Fazemos muitas ligações de distrito para distrito, atendendo comunidades que, às vezes, têm mais população do que a própria sede do município. O pessoal cobra muito asfalto nesses distritos.
O programa Travessias Urbanas é um grande exemplo disso. Ele consiste em levar asfalto para dentro das cidades. Hoje, praticamente todos os 211 municípios da Paraíba já receberam asfalto em suas vias principais, e muitas outras vias também. É um programa de enorme aprovação popular.
As pessoas se sentem resgatadas, com a autoestima elevada. Valoriza os imóveis, permite que a mulher ande de salto alto na rua. Cidades que nunca imaginariam ter asfalto, como Marisópolis, hoje têm binários e acessos laterais asfaltados para melhorar a mobilidade urbana e tirar o tráfego da BR. Isso garante que a Paraíba tenha acessos assegurados em todos os seus pontos.

Além dos municípios, como o Estado atua na integração logística e interestadual da malha rodoviária, e como a infraestrutura paraibana influencia os estados vizinhos?
Além dos programas municipalistas, temos grandes obras como a Ponte do Futuro e o Arco Metropolitano, que garantem o fluxo de produtos e o transporte de grandes produtores pelo Estado. Do ponto de vista logístico, é crucial.
Por exemplo, quem vem do interior da Paraíba e vai para Pernambuco, para Recife, não precisa mais passar por Santa Rita, Bayeux, ou pelo trânsito da BR-230 na região metropolitana de João Pessoa. Isso melhora muito a mobilidade.
Também fazemos muitos acessos que conectam nossas rodovias às estradas dos estados vizinhos. Quando a Paraíba faz um acesso, por exemplo, até a divisa com Pernambuco, a cidade do outro lado da divisa começa a cobrar seu próprio governo para fazer o mesmo. É um efeito “condomínio”: um puxa o outro, e isso melhora o fluxo e a integração regional.
Inauguramos uma obra muito importante em Manaíra, que liga a divisa com Pernambuco até Santa Cruz da Baixa Verde, com uma ponte, e o testemunho das pessoas é de quem esperou por 50 anos por aquele acesso.
Qual o protagonismo da Paraíba no Consórcio Nordeste e o que a continuidade da gestão atual representa em termos de segurança institucional?
O Consórcio Nordeste é uma iniciativa muito relevante, pois nos permite pensar o nosso Estado não apenas isoladamente, mas enquanto região. Muitas obras e ações, principalmente do Governo Federal, têm impacto regional.
Os governadores do Nordeste, por exemplo, levaram ao Presidente Lula a prioridade de finalizar os eixos do ramal da transposição do Rio São Francisco, que impactam Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Esse diálogo, não só entre os governadores, mas também entre as câmaras temáticas de infraestrutura, meio ambiente, etc., fortalece a região como um todo. A continuidade da nossa gestão traz uma segurança institucional importante.
Este cenário de tantos investimentos em infraestrutura e outras áreas só foi possível devido a uma gestão fiscal rigorosa. Não é todo estado que consegue ter esse volume de obras e ações. Nosso Governo tem um compromisso com a responsabilidade fiscal, não gastando mais do que arrecada. Isso nos permite garantir que a Paraíba continuará nesse caminho de investimentos.
Quais são os planos futuros para a gestão, especialmente o plano Paraíba 2025-2026, e as novidades em outras áreas como saúde e saneamento?
No início do ano passado, lançamos o plano Paraíba 2025-2026, um super pacote de obras em todas as áreas que serão executadas nesses dois anos. Muitas coisas já iniciaram ou estão em fase de execução, e há muita coisa para ser entregue ainda.
Esse plano contempla educação, saúde e saneamento. Na saúde, temos um trabalho muito forte de interiorização. A Paraíba já conta com dois hospitais de trauma em João Pessoa e Campina Grande. Estamos construindo o Hospital de Trauma do Sertão, em Patos, para democratizar o acesso a emergências e urgências para quem vive mais distante.
Além disso, estamos construindo mais dois novos hospitais: o Hospital da Mulher de Campina Grande e outro no Sertão, em Sousa, que contará com maternidade e pediatria. Descentralizamos também a hemodiálise: tínhamos apenas três centros no Estado, e vamos terminar com 11, para que os pacientes não precisem se deslocar por longas distâncias.
Contamos ainda com duas UTIs aéreas para transporte de pacientes graves, inclusive para outros estados, e um Hospital do Câncer no Sertão.
Em saneamento, lançamos uma Parceria Público-Privada para esgotamento sanitário, buscando a universalização. A modelagem é bastante moderna: a empresa parceira vai operar o sistema, mas a cobrança e o ativo continuam sendo do Estado. É um compromisso importantíssimo e um alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, essencial para futuros empréstimos.

Há planos para parcerias público-privadas ou concessões em rodovias, seguindo o modelo bem-sucedido do saneamento?
Hoje, não temos esse foco ainda pensado para rodovias. O Estado tem condição de manter a malha rodoviária e de mantê-la bem. Estamos lançando muitos projetos de restauração e requalificação. Restauração significa praticamente fazer outra estrada, com estradas que já não suportam mais apenas recapeamento.
Estamos com um projeto de R$ 70 milhões para a região que liga Manguape a Guarabira, que incluirá um contorno em Manguape, Araçagi e Itapororoca, criando uma nova rodovia. É importante ressaltar que o padrão de excelência que hoje é conhecido como padrão DNIT foi, na verdade, ensinado pela Paraíba, pois as grandes obras federais aqui foram executadas pelo DER-PB.
Vice-Governador, o DER-PB completa 80 anos este ano. Que mensagem o senhor deixa para essa importante ferramenta de gestão e quais são os principais focos para o futuro?
As estradas da Paraíba hoje dão muito orgulho ao povo paraibano. É comum ver pessoas de outros estados filmando a diferença de qualidade quando chegam à divisa com a Paraíba.
Essa excelência é fruto de um trabalho contínuo, que começa com uma administração que permite ao DER-PB cumprir sua missão não apenas de fazer estradas, mas de mantê-las. Recebemos muitos pedidos de estadualização de acessos rurais e estradas vicinais, o que demonstra o sucesso do trabalho do DER-PB.
Para o futuro, nosso foco principal será concluir todas as entregas que estão em andamento. Há muitas estradas sendo feitas e muitas obras em licitação. Temos obras emblemáticas como a Perimetral de Sousa, que após alguns contratempos, agora está avançando.
Em João Pessoa, as obras do Arco Metropolitano e da Ponte do Futuro vão resolver a mobilidade urbana. Em Campina Grande, temos o Arco Metropolitano e a Floriano Peixoto, que melhoram a mobilidade da cidade. Além disso, inauguramos o Binário de Jacumã.
O Estado, nos últimos quatro anos, tem sido muito “prefeito” de algumas cidades, pegando na mão das prefeituras e realizando obras municipais. Esse é um compromisso de continuidade: ser parceiro das cidades, mantendo essa visão municipalista e de desenvolvimento para toda a Paraíba.
Continuaremos nessa trajetória de garantir que nenhum lugar da Paraíba seja invisível, que nenhuma comunidade esteja fora do mapa, e que a presença do Governo se faça sentir com ações transformadoras.