GUILHERME RAMOS CEO da STO Feiras e Eventos

O CEO que une e reúne interesses da infraestrutura

Guilherme Ramos, CEO da STO Feiras e Eventos, é o idealizador de alguns dos mais importantes eventos do país dedicados ao rodoviarismo e à infraestrutura. Apontado pelo mercado de eventos como uma referência no segmento da construção pesada, Guilherme tem a capacidade de antecipar tendências e perceber movimentos que ajudam a explicar para onde caminha o setor. O sucesso da Paving, já consagrada como um dos principais encontros da indústria rodoviária, e da Brazil Equipo Show, com foco em máquinas e equipamentos pesados, está
na origem dessas credenciais. Dinâmico e de olhar internacional, Guilherme consegue compreender e aproximar interesses de diferentes setores e regiões do Brasil. Engenheiro civil, promove a troca de conhecimentos, a abertura de novos mercados, a aquisição de novos saberes e, sobretudo, o encontro entre profissionais que constroem e movimentam o país das rodovias. É um homem que une e reúne interesses, aproximando pessoas, empresas, tecnologias e oportunidades. Em um segmento marcado pela competição e pela permanente transformação, também se propõe a contribuir para o desenvolvimento do setor, criando espaços que aproximam o mercado, a comunidade técnica e os responsáveis pelas grandes decisões da infraestrutura brasileira.

RodoVias&Infra: Em seus primeiros anos de existência, a Paving enfrentou condições muito desfavoráveis dentro do mercado de feiras e exposições por causa da pandemia de Covid-19. No entanto, a feira não só cresceu exponencialmente em números, como se tornou uma grande referência no setor rodoviário na última década. O que ancora essa sua postura visionária?

Guilherme Ramos: Sou sempre otimista. A oportunidade está aí e, se eu não fizer, alguém vai fazer. Para mim, a palavra-chave é confiança. É não se deixar contaminar por notícia ruim, porque em uma disputa política sempre existem dois lados e, muitas vezes, o que chega até nós são distorções da realidade. Quem toma decisão olhando só para o que é negativo não sai do lugar. A Paving nasceu em 2019, no Center Norte. Em 2020 veio a pandemia e realizamos duas edições virtuais, uma no começo e outra no fim do ano. Achávamos que a circulação de pessoas voltaria em 2021, mas não voltou. Conseguimos então fazer uma edição híbrida, ainda sem estandes e sem aglomeração. Foram três anos remando contra a maré, e a gente não parou nenhuma vez: manteve a feira viva, manteve o relacionamento com o expositor. Em 2022, o mercado voltou arrebentando, e não só a Paving. Todas as feiras, de todos os setores, sentiram o efeito de uma demanda reprimida. Quando voltou, voltou muito forte, e nós estávamos prontos. Hoje a Paving ocupa três pavilhões do Anhembi e é um baita sucesso.

E a própria Paving levou ao nascimento de outra feira de grande relevância, a Brazil Equipo Show. Por que dois eventos distintos?

Durante a pandemia, fizemos muitas reuniões com empresas da construção pesada e do setor rodoviário, e elas nos trouxeram as dores que sentiam nas feiras. As marcas líderes do segmento queriam um evento em que as máquinas pudessem ser ligadas e operadas na frente do público. Na Paving isso não é possível, porque é um evento em ambiente interno, fechado. Foi daí que nasceu a Brazil Equipo Show, a BES, com uma ampla área externa. Essa área externa muda completamente a experiência de quem vai comprar. O cliente não vê apenas a máquina parada no estande: ele vê o equipamento trabalhando em condições parecidas com as da obra, movimentando material, compactando, escavando. Dá para ouvir o motor, entender o ciclo de operação, subir na cabine, sentir a visibilidade e o conforto do operador. É praticamente uma simulação da obra dentro da feira, e isso encurta muito a decisão de compra, porque tira a dúvida que nenhum catálogo resolve. Na mesma linha, os campeonatos de operadores se tornaram uma das atrações mais fortes da BES. São competições em que os profissionais mostram precisão e domínio da máquina em provas cronometradas. O público se aproxima, a torcida se forma, e todo mundo ganha: o operador, que é valorizado e reconhecido como protagonista do setor; o expositor, que tem o desempenho do equipamento demonstrado na prática por quem opera todo dia; e a própria feira, que ganha em movimento e emoção. A BES está na terceira edição e vem se fortalecendo cada vez mais. Ela funciona como uma extensão da Paving, cobrindo aquilo que não conseguimos atender no ambiente interno. E o expositor é quem sustenta a feira, então a experiência dele é prioridade para nós. Ontem, por exemplo, tivemos o show do Fernando & Sorocaba. Foi um evento fechado, pensado para que os expositores pudessem receber e confraternizar com os próprios clientes num ambiente descontraído, fora da pressão da negociação. Tem porco no rolete, tem música. Não é comum numa feira, e é exatamente por isso que fazemos. Queremos que as pessoas se sintam confortáveis e que a experiência seja boa para o público e para o expositor.

E esse know how levou a STO a ampliar o número de feiras. Além da Paving e da BES, quais eventos serão realizados pela STO em 2027?

Nosso calendário do ano que vem tem cinco eventos. Em março realizamos a Infra-Nordeste, voltada a rodovias, infraestrutura e maquinário, que será uma mistura de Paving e BES: uma área externa, com o desafio de operadores, uma competição de habilidade técnica entre operadores de máquinas de todo o país, e com a possibilidade de ligar os equipamentos, e uma área interna, com o formato de feira tradicional. Acontece de 3 a 5 de março, no Centro de Convenções Salvador. Em junho temos a BES, de 8 a 11. No início de agosto, a BTS (Brazil Tube & Steel), feira voltada a tubulação e produção de fluidos para a indústria. Em setembro, a Paving, ao lado do ENACOR (Encontro Nacional de Conservação Rodoviária) e da RAPv (Reunião Anual de Pavimentação). E em outubro, a BENT (Brazil Energy Transition Expo), dedicada a energia limpa, energia renovável e transição energética.

A Paving foi o case de sucesso que impulsionou a criação dos outros eventos da STO. O que ela representa para a empresa e para o próprio setor de infraestrutura?

A Paving é um reflexo do que é o setor. Em 2024, na última edição realizada no Center Norte, foi uma feira de quase 19 mil metros quadrados. Em 2025, fomos para o Anhembi, ocupamos dois pavilhões, chegamos a quase 30 mil metros quadrados e recebemos 31 mil pessoas. Este ano estamos com três pavilhões, quase 40 mil metros quadrados, e a expectativa de público é semelhante. Também investimos muito mais em conteúdo técnico, trazendo palestras importantes e participações internacionais. A Paving nos deu credibilidade para criar outros eventos. E o fato de o setor de infraestrutura estar hoje muito mais nas mãos do capital privado, por meio das concessões e de novos modelos de investimento, também favorece o nosso mercado.

E como foi essa união entre Paving, ENACOR e RAPv?

O ENACOR e a RAPv são eventos itinerantes, promovidos pela ABDER (Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem) e pela ABPv (Associação Brasileira de Pavimentação). Este ano aconteceram em Goiânia, e a decisão foi levar a edição de 2027 para São Paulo. Fui conversar com eles e coloquei a questão: dois eventos do mesmo universo, na mesma cidade e praticamente no mesmo período, acabariam concorrendo entre si, e nenhum dos dois renderia o que poderia render. Separados, dividiríamos o mesmo público e as mesmas empresas. Juntos, somamos. A ideia foi bem recebida. Sérgio Codelo, presidente do DER/SP (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo), abraçou a proposta, assim como Fauzi Nacfur Junior, presidente da ABDER e do DER-DF, Rui Corrêa Vieira, superintendente executivo da ABDER, e Valmir Bonfim, presidente da ABPv. Todos eles estiveram em São Paulo recentemente para reuniões conosco, e já estamos a todo vapor. Estamos chamando esse encontro de Semana da Infraestrutura, porque é exatamente isso: uma semana em que o setor inteiro está no mesmo lugar. O ENACOR e a RAPv trazem o setor público, os departamentos de estradas de rodagem, os gestores de obras públicas, as equipes que planejam, contratam e fiscalizam a infraestrutura do país. A Paving traz a indústria, os fornecedores e uma programação própria de painéis e palestras, que já é uma das marcas da feira. Somando as duas coisas, o debate fica completo: quem executa a obra e quem gere a obra discutindo no mesmo ambiente. O profissional que vem de fora de São Paulo resolve tudo numa viagem só: participa das sessões técnicas, apresenta trabalho, assiste aos painéis e visita a feira. Para o expositor, é o público mais qualificado que ele poderia encontrar, porque é quem decide investimento. E para o setor, é a chance de aproximar de vez o poder público, a academia e a indústria. Vai ser bem grandioso.

Um dos temas da Paving nos últimos anos é a segurança rodoviária. Este ano, a segurança também estará em foco?

Sim, e com um espaço próprio. Em parceria com a ABEETRANS (Associação Brasileira das Empresas de Engenharia de Trânsito) e a ABSeV (Associação Brasileira de Segurança Viária), criamos um pavilhão dedicado exclusivamente à segurança viária, reunindo várias empresas do setor. A ideia é concentrar num mesmo ambiente soluções que antes apareciam dispersas pela feira. Quem trabalha com gestão de rodovias, sinalização e dispositivos de segurança encontra tudo num único circuito, o que facilita a comparação entre tecnologias e a conversa direta com os fornecedores. Além da exposição, teremos programação de conteúdo todos os dias, com palestras sobre segurança viária conduzidas por especialistas e pelas próprias associações. É um tema que só avança com informação técnica e troca de experiência, e a Paving quer ser esse ponto de encontro entre o poder público, as concessionárias, os projetistas e a indústria. Esse modelo de parceria com as associações tem se mostrado muito interessante, tanto que fechamos o mesmo formato com a ANETRAMS (Associação Nacional das Empresas de Engenharia em Infraestrutura, Transporte e Meio Ambiente): um pavilhão próprio reunindo as empresas de engenharia consultiva. São dois segmentos diferentes, mas complementares, porque a segurança de uma rodovia começa no projeto. Ter os dois pavilhões na mesma feira permite que o visitante percorra toda a cadeia, do estudo técnico à solução aplicada na pista.

Existe um público muito grande interessado nos conteúdos técnicos da Paving. O que esperar desta edição?

O conteúdo deixou de ser um complemento e virou um dos motivos pelos quais as pessoas vêm à Paving. Nesta edição teremos sete salas dedicadas a palestras e workshops, com mais de cem sessões ao longo dos dias de feira, tudo organizado na Rota do Conhecimento, que divide os temas em seis eixos. A lógica é simples: o visitante identifica o eixo que tem a ver com o trabalho dele e monta o próprio roteiro, sem se perder numa grade gigante. Isso respeita o tempo de quem está aqui, porque o profissional do setor normalmente tem um ou dois dias para aproveitar tudo. Os workshops são a parte que mais tem crescido, porque o formato é diferente da palestra tradicional. É um ambiente menor, mais próximo, em que o participante pergunta, discute o caso dele e sai com uma solução aplicável. Nas palestras, a proposta é trazer quem está na linha de frente: dirigentes e técnicos de órgãos públicos, especialistas das associações, pesquisadores das universidades e profissionais do mercado, incluindo participações internacionais. A orientação que damos a todos é a mesma: conteúdo técnico de verdade, com informação nova e aplicável. Ninguém sai do trabalho, viaja e reserva um dia inteiro para assistir a uma apresentação institucional. As pessoas querem entender o que está mudando em técnica, em material, em tecnologia e em gestão, e é isso que a gente se compromete a entregar.

A Paving tem um histórico de participação de dirigentes e técnicos do DNIT e de outros órgãos públicos. Qual a importância dessa aproximação para a feira e para o setor?

Temos um relacionamento muito bom com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), com o Ministério dos Transportes e com o Governo do Estado de São Paulo. Quando se olha para a galeria de palestrantes da Paving, encontram-se profissionais de grande conhecimento sobre a realidade viária brasileira, como Luiz Guilherme, diretor de Planejamento e Pesquisa; Carlos Barros, diretor executivo; Anderson Alvarenga, coordenador-geral de Modernização e Gestão Estratégica; e Fábio Nunes, diretor de Infraestrutura Rodoviária, todos do DNIT. Convidar pessoas que conhecem profundamente a infraestrutura brasileira dá credibilidade à Paving e fortalece a aproximação entre o poder público e o mercado. São profissionais que participam de decisões importantes e conhecem de perto os desafios do setor. Ao mesmo tempo, procuramos sempre mostrar a importância do DNIT como órgão essencial para a infraestrutura e para os brasileiros.

O que vem pela frente na 9ª edição da Paving?

Teremos por volta de 350 marcas e mais de 300 estandes, com forte presença internacional, especialmente de marcas chinesas. É um número que diz muito sobre o momento do setor: quando a indústria decide investir em estande, em equipe e em produto para trazer até aqui, é porque enxerga mercado, enxerga demanda e enxerga para quem vender. E o público corresponde. É uma feira em que as pessoas vêm muito focadas em negócios. Estava conversando com um expositor e ele me disse: “É impressionante como aqui o cara entra no estande e já faz negócio”. E é isso mesmo. O visitante não vem passear, vem procurando solução, equipamento e produto, com projeto na mão e decisão para tomar. Essa é a diferença entre movimento e resultado, e é o que o expositor leva daqui. Por isso o convite é direto: infraestrutura não se faz sozinho, se faz em rede. E essa rede inteira está na Paving.