Evento – Primeiro, e de Primeira Linha

Inédito Workshop de Tecnologia Rodoviária, realizado pelo Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba – DER-PB, junto à Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem – ABDER, situa o estado no mapa do Nordeste brasileiro como destino de eventos técnicos de alta relevância para o segmento. Com 400 inscritos confirmados e ingressos esgotados pouco tempo depois de sua disponibilização, o encontro, que cobriu temas como sustentabilidade, segurança e rodovias inteligentes, marcou o lançamento da edição de nº 14 de RodoVias&Infra, que contemplou a infraestrutura e os sistemas rodoviários paraibanos, bem como o início das festividades de 80 anos do DER-PB.

Bem-humorada, como requer a tradicional etiqueta paraibana, a apresentação folclórica do poeta e artista regional Jessier Quirino inaugurou as atividades do 1º Workshop Rodoviário do DER paraibano, no auditório da sede do Tribunal de Contas do Estado. Um momento que congregou não apenas a comunidade de engenharia vetorizada com extrema propriedade pelo Departamento no estado, mas que fez convergir a João Pessoa paulistas, mineiros, paranaenses, candangos, entre outros representantes de instituições e empresas de destaque no cenário rodoviarista nacional, em boa monta, pela realização conjunta com a Associação Brasileira dos DERs, a ABDER, quase como um ensaio em escala para o seu consolidadíssimo Encontro Nacional de Conservação Rodoviária – ENACOR, cuja 28ª versão será realizada este ano, como de costume, simultaneamente à Reunião Anual de Pavimentação — RAPv, evento da Associação Brasileira de Pavimentação, edição 51 — em Goiânia, GO.

Marcando a etapa solene, foi convocada a composição da mesa de abertura com as presenças do diretor-superintendente do Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba – DER-PB, Carlos Pereira de Carvalho e Silva; do presidente da Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de Estradas de Rodagem – ABDER, Fauzi Nacfur Junior; do presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino; da secretária de Estado da Infraestrutura e Recursos Hídricos – SEIRH, Virgiane da Silva Melo Amaral; do ex-secretário da SEIRH e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado – TCE, Duesdete Queiroga; do presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba, CREA-PB, Renan Guimarães de Azevedo; do coordenador do Centro Cultural Ariano Suassuna, Flávio Sátiro Filho; e do tenente-coronel do Batalhão de Policiamento de Trânsito da Paraíba – BPTRAN-PB, Ralisson Andrade Araújo.

Anfitrião do evento, o sempre eloquente superintendente do DER-PB, Carlos Pereira, saudou a todos com um cumprimento à força feminina, amplamente presente e atuante nos seus próprios quadros institucionais e, naturalmente, na plateia, lembrando que “os caminhos não têm prazo de validade”, traçando um breve histórico desde os tempos antigos das trilhas em leito natural à moderna concepção rodoviária, afirmando: “não devemos esquecer que as estradas são uma eterna ligação entre pessoas” e arrematando com sua conhecida verve recheada de lirismo: “A estrada é como um verdadeiro caminho de vida. Se por acaso na estrada o presente se cruza com o passado, lembre-se: o tempo muda muitas coisas. Outras, jamais mudarão. Um dia, a gente aprende a construir todas as nossas estradas de hoje. Porque o terreno do amanhã é incerto. Demais para os nossos planos. E o futuro tem o costume de surgir no meio do caminho”, disse em seguida, cedendo a palavra ao presidente da ABDER, e presidente do DER-DF, Fauzi Nacfur Junior, seu coanfitrião de workshop: “Nós ficamos muito bem impressionados com a capacidade da Paraíba de investir, como o governador, engenheiro como nós, detalhará, esses cerca de R$ 6 bilhões em infraestrutura. A infraestrutura é o caminho para o nosso país. Para a gente desenvolver, sair do terceiro mundo. Porque sem infraestrutura, sem a valorização da infraestrutura, a gente não vai para lugar nenhum. E todos nós aqui somos responsáveis, temos que vestir essa camisa, para ajudar as pessoas e ajudar o nosso país, uma missão que nós compartilhamos, via ABDER, para promover uma maior integração entre os estados, com a parceria da iniciativa privada”.

TECNORDESTE

Logo após a apresentação do presidente da ABDER e o registro da entrega formal que lançou a edição paraibana de RodoVias&Infra, o governador do estado da Paraíba, João Azevêdo, fez uso da palavra, destacando alguns resultados de uma verdadeira prestação de contas dos — grandes — feitos de gestão na infraestrutura paraibana, e que pode ser conferida em detalhes na edição nº 14 de RV&I. Absolutamente em linha com a palavra tecnologia, que encabeçou o material do workshop, uma parte de suas explanações foi centrada justamente em inovação, para além da mobilidade, do rodoviarismo e da logística, indo à limpíssima e moderna matriz energética estadual e ao desenvolvimento das telecomunicações, entre outros avanços.

“Geograficamente, a Paraíba é privilegiada para atração de investimentos, no centro da região Nordeste”, comentou o governador, que fez questão de apontar uma nova vocação paraibana: a de hub tecnológico. “Estamos fazendo um investimento muito grande em tecnologia e inovação. É qualificação, com bolsas de mestrado, doutorado, e estamos investindo também em equipamentos grandes, como o radiotelescópio BINGO (Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations, de detecção de oscilações acústicas de bárions), que é o maior da América Latina, a construção da Cidade da Astronomia, e isso tudo vai criar um complexo científico no Sertão. Também, em João Pessoa, estamos implantando o primeiro Centro Internacional de Computação Quântica, que terá o primeiro computador quântico da América Latina. A ideia é abrir os horizontes para as pesquisas e esse novo mundo que se apresenta aí. E tudo isso começa pela infraestrutura. Está alinhado à qualidade dessa infraestrutura, das nossas estradas, que permitem essa evolução”, afirmou Azevêdo, que ainda apresentou, em minúcias, o projeto, as etapas, a situação de momento e a evolução do grandioso empreendimento que certamente será a assinatura de sua segunda gestão à frente do Executivo paraibano, o Complexo da Ponte do Futuro.

“Por obras como o Arco Metropolitano e agora o Complexo Ponte do Futuro, entre muitas outras que o DER-PB tem executado, nós entendemos que esta linha da matriz de infraestrutura do estado restará absolutamente resolvida. A logística de transportes da Paraíba está absolutamente resolvida”, declarou.

PRIMEIRO CICLO

Inaugurando as aguardadas preleções técnicas, o coordenador de Engenharia da Superintendência Regional do DNIT na Paraíba, Cacildo de Medeiros Brito Cavalcante, apresentou um aprofundado enfoque sobre as interações de escala federal no âmbito do estado, ao detalhar o contexto do “DNIT e os Desafios da infraestrutura rodoviária na Paraíba”. Entre os trabalhos atualmente em curso, o coordenador destacou a conclusão da primeira etapa na BR-230; o início das licitações da 2ª etapa na mesma BR; as ampliações na BR-101, 104, e a Variante de São José da Mata, atualmente em fase de licenciamento.

Ainda, o coordenador avaliou que devem avançar bem na Paraíba as programações do BR-Legal 2; do Plano Nacional de Pesagem (PNP); do Plano Nacional de Controle de Velocidade (PNCV), entre outras ações voltadas à segurança e educação no trânsito. Contudo, o coordenador sinalizou que o orçamento pode influenciar diretamente a qualidade das entregas: “Aguardamos ansiosos a disponibilidade de recursos, para que possamos atender a tudo aquilo que a sociedade almeja que o DNIT entregue. Nós temos ciência da nossa responsabilidade, temos um corpo técnico muito qualificado, parceiros muito bons, como o próprio DER-PB, empresas fabulosas que nos fornecem serviços. Temos capacidade. O que nos falta, por vezes, são os meios para que a finalidade seja alcançada. E isso depende muito da vontade política aplicada pelos nossos governantes. Em que pese o cenário da Paraíba ser muito favorável”.

SHEMPO/KAPSCH

Sob o título “Rodovias Inteligentes: Como as plataformas de gestão integrada, a gestão de dados e IA podem transformar a operação e experiência dos usuários de nossas rodovias”, o chefe da Divisão de Engenharia de Sistemas para a América Latina da Kapsch, David Niño, iniciou uma porção, digamos, mais digital das apresentações, alertando para mudanças fundamentais na mobilidade, bem como os riscos oferecidos pela não interoperabilidade entre sistemas de gestão operacional de tráfego, especialmente os que, além de pertencerem a gerações diferentes, estão associados a contratações que não possuem, muitas vezes, nenhum tipo de integração entre si.

Como exemplo, ele citou a gestão de dados e a impossibilidade de promover uma maior convergência entre diferentes plataformas que atendem a diferentes clientes. “A Kapsch vem abordando esse problema desde os anos 1990, inicialmente com o Optimus, que era voltado à gestão de cidades. Diante da complexidade das operações, fomos evoluindo até chegar ao EcoTraffix, que trata informações de diferentes fontes para conseguir fazê-lo ‘conversar’ independentemente da tecnologia. Isso vai além, chegando à escala preditiva, mais refinada, com a utilização dos digital twins e com capacidade de conexão com aplicativos e multiagências. Atualmente no Brasil, cerca de 12 cidades já se utilizam do EcoTraffix para a gestão de tráfego, fazendo-se valer da sua modularidade, que atende desde apenas projetos semafóricos, de PMVs e etc., até projetos maiores com um maior escopo de funções integradas”, disse.

LISY SEGURANÇA VIÁRIA

Discorrendo sobre “Dispositivos de contenção viária”, o responsável técnico e comercial para o Brasil e América Latina da Lisy, Flavio Patanè, executivo com mais de 30 anos de atuação no segmento, calçou sua apresentação sobre a mais moderna conceituação das “Rodovias que Perdoam”, e que — necessariamente — trazem uma abordagem muito mais robusta sobre os aspectos que são associados a equipamentos desta natureza.

“Hoje o Brasil mudou. Antes, falávamos muito apenas em termos de especificações técnicas. Hoje, nós estamos muito mais voltados para a performance que esse dispositivo vai apresentar. É por isso que hoje nós fazemos testes dinâmicos, parametrizados, ensaios com diversos tipos de veículo, diferentes velocidades, ângulos de colisão, tudo isso para atender às normas e obter as certificações que, no final, se traduzem em segurança para o usuário”, explicou o executivo, que ainda abordou outros temas além de performance, detalhando defensas, transições, atenuadores de impacto e terminais de impacto, bem como suas classificações por níveis de contenção e a correta utilização destes para alcançar o objetivo de rodovias que perdoam.

SOFTPLAN

Abordando a “Gestão de obras rodoviárias na era da IA: tecnologias e estudos de casos”, o executivo de Novos Negócios na Softplan Setor Público, Rafael Marana Scala, elencou as dimensões continentais do país como um fator preponderante sob o viés das estratégias: “Nós estamos falando aí de 210 a 215 mil km de rodovias pavimentadas, a nível nacional. Isso representa ainda menos de 1/5 do que existe na França ou na Alemanha, países bem menores em território. Então é importante entendermos como a tecnologia pode ajudar no dia a dia, no sentido de ampliar a nossa capacidade e produtividade, e a necessidade de avaliar os dados com eficiência.

O governador da Paraíba nos impressionou com um portfólio de R$ 6 bilhões em obras e, o Dr. Fauzi, por outro lado, também mostrou um grande volume de obras sendo realizadas pelo DER-DF. Foi no sentido de tornar essas gestões mais assertivas que a Softplan concebeu o SIDER, uma solução integrada voltada aos Departamentos de Estradas de Rodagem”, explicou, comentando que a solução vem sendo desenvolvida e aprimorada nos últimos 30 anos, evoluindo com as demandas de 16 estados que a adotam.

“Essa melhoria contínua vem da observação das melhores práticas aplicadas à engenharia, visando sempre um incremento direto nas atividades diárias dessas instituições. O SIDER trabalha dentro dos pilares: fiscalização rodoviária, que inclui faixa de domínio, autorizações especiais de trânsito, multas; manutenção e operação viária, com suporte às desapropriações e licenciamentos ambientais; gestão das obras de arte especiais, tudo em um ambiente estruturado para que os dados sejam alimentados em tempo real, com a utilização de agentes de Inteligência Artificial, capazes de filtrar com rapidez essas informações consolidadas, trazendo-as para o gestor no momento em que ele precisar, com grande agilidade. Um expediente que já é utilizado com sucesso pelo DER-MG, com a utilização do IRIS Obras. Também temos cases de sucesso com a utilização da plataforma pelos DERs de Pernambuco e Sergipe”, informou o executivo, que lembrou que todo este esforço e emprego maciço de tecnologia de ponta pode ser traduzido de forma inequívoca em benefício ao usuário, que afinal é o objetivo final de todas as instituições de engenharia rodoviária.

STRATA ENGENHARIA: SIGMA

Encerrando o segmento tecnológico do dia, um vislumbre do topo da engenharia consultiva brasileira ocorreu na apresentação do presidente da Strata Engenharia, Paulo Gontijo, e Leonardo Melo Bittencourt, detalhando o Sistema Inteligente de Gestão e Manutenção de Ativos – SIGMA.

“Fazer o planejamento adequado da manutenção é sempre um grande desafio. Como estabelecer uma priorização adequada? Onde fazer, o que fazer? Quanto custa? E, o mais importante, onde está minha ferramenta administrativa?”, atalhou o sempre provocativo e entusiástico Paulo Gontijo, ao apontar a necessidade da busca por soluções mais completas, de mais alta capacidade, traçando uma curiosa correlação entre a vidência cigana, via cartas do Tarot, e o necessário exercício preditivo, de forma mais precisa, no cenário de aplicação dos recursos na manutenção de malha — sem chutes, sem achismos — como ele fez questão de frisar.

Justamente para acessar todas essas questões, a STRATA vem sistematicamente trazendo maior sofisticação para seu arsenal tecnológico de equipamentos e refinando métodos segundo a abordagem científica preconizada na Metodologia Paragon, que fornece o embasamento de critérios técnicos para o SIGMA.

“A tecnologia evoluiu a tal ponto que hoje nós trabalhamos com uma quantidade de dados coletados, com tamanha precisão e volume, que há poucos anos era inimaginável. Hoje nós temos domínio de todos os defeitos que acontecem na rodovia, domínio do IRI, das flechas de deflexão e etc. Mas nós temos condição de nos valer dessa vantagem? A Strata mostra com o SIGMA que sim”, afirmou Gontijo, após uma histórica apresentação técnica do caminho evolutivo seguido pela STRATA ao perseguir, de forma intransigente, os mais sofisticados meios para o dimensionamento, levantamento, diagnose e concepção de soluções para os pavimentos rodoviários.

“Temos, às vezes, dados demais que não se convertem em capacidade de tomada de decisão. Temos dados fragmentados e análises isoladas. E o gestor não depende de complexidade. Ele precisa de clareza, de informação de maneira simples, para uma tomada de decisão mais acertada. Ainda, a ideia é tornar o gestor e seu processo de tomada de decisão menos reativos, apoiar a ideia de intervir antes da piora de um defeito. Afinal, é de conhecimento de todos que as intervenções corretivas ou emergenciais sempre são mais onerosas quando comparadas às ações preventivas”, avaliou o líder de desenvolvimento do SIGMA, Leonardo Bittencourt.

SEGUNDO CICLO

Dando sequência aos trabalhos no segundo dia de evento, o coordenador de Pavimentação da Associação Brasileira de Cimento Portland – ABCP, Fernão Nonemacher, abordou as soluções em pavimento rígido de concreto — cada vez mais presentes nas rodovias brasileiras — como uma alternativa também vantajosa sob o viés ambiental, com a palestra: “Pavimentos de Concreto para um Futuro Sustentável”.

Iniciando por uma breve apresentação dos números do setor, citando a existência de 93 fábricas, controladas por 23 diferentes grupos industriais, com uma capacidade produtiva de 94 milhões de toneladas ao ano, com uma produção de 60,4 t em 2024, o especialista questionou: “Por que os pavimentos brasileiros estão aquém do que poderiam e deveriam estar?”.

Falando desde a opção logística do país, eminentemente rodoviário (e extremamente demandado), às políticas voltadas aos modais, ele apontou a carência de investimentos, em especial em manutenção, como os principais fatores contribuintes para o fato. “É nesse primeiro momento que nós já vemos o pavimento rígido surgir como uma alternativa viável”, disse.

“O concreto, a longo prazo, sempre apresentou vantagem em termos de manutenção em relação aos asfálticos. Nos últimos 6 anos, contudo, por questões de mercado, os custos iniciais começaram a ficar mais equiparados, colocando os pavimentos rígidos em um patamar bem mais competitivo frente às soluções equivalentes”.

Ou seja, o primeiro ponto de sustentabilidade não veio apenas pelo fator ambiental, de níveis menores de emissões e menor pegada de carbono, mas por um prisma sustentável de economia.

“O whitetopping também veio trazer essa nova realidade, como pudemos ver nos cerca de 100 km da PRC-280, que possui uma performance altíssima. Não é à toa que no Paraná existe um programa chamado ‘Paraná Concreto’, com quase 1 mil km executados, em execução ou a serem licitados nos próximos meses. O estado saiu de 0% de rodovias pavimentadas em concreto para cerca de 10% nesse momento”, relatou, acrescentando que esta também é uma tendência em termos de DNIT, que vem apresentando um aumento de utilização das pistas em concreto.

“A redução de pressão econômica e de impactos ambientais dos pavimentos rígidos fica ainda mais evidente quando olhamos o ciclo de vida. Desde a produção, com materiais reciclados, menos extração de matéria-prima, menor consumo energético e uso de fontes alternativas de energia, à menor necessidade de intervenções de manutenção e à diminuição do consumo de combustível, devido à qualidade de rodagem que se estende por um período maior do tempo de uso da rodovia”, disse Nonemacher, que ainda citou outros efeitos colaterais devido à própria natureza do material, como a redução de ilhas de calor, alertando que os ganhos ambientais podem, no futuro, tornarem-se critérios excludentes em eventuais licitações, o que traria ainda mais vantagem na utilização do concreto.

HUESKER

Capitaneada por Mateus Cleto, gerente comercial da HUESKER Brasil, a apresentação “Geossintéticos na Infraestrutura de Transportes” começou pela trajetória de quase 30 anos de presença alemã na América do Sul. Fundada há 160 anos, inicialmente uma empresa têxtil comum, foi nos anos 1960 que a HUESKER passou a se dedicar a tecidos técnicos.

“Geogrelhas, geotêxteis, geocompostos são todos produtos de alta tecnologia, associados a soluções e equipamentos inovadores introduzidos pela HUESKER para atender pavimentos, hidráulica e ambiental, em obras em terra, geotecnia e ferrovias. É uma classe de componentes feitos com polímero e alta resistência à tração, para incrementar a resistência dos solos. Com o Basetrac, um elemento de reforço no segmento rodoviário, insere-se um elemento para tratar o subleito, para diminuir as espessuras da base, sub-base e do próprio pavimento. Um material rígido, com baixa deformação, bidirecional, que evita também a fuga e perda de material entre camadas, além de prevenir infiltração”, explicou o gerente, apontando um ganho produtivo, com aumento da capacidade de carga, melhoria da trafegabilidade, possibilidade de utilização de material presente no local, a não exigência de remoção de solos com baixo CBR (de baixa resistência) e a já citada separação de materiais com diferentes granulometrias.

VIMASTER: “SALVAR VIDAS NÃO TEM PREÇO”

Figurando entre os mais destacados personagens da segurança viária e sinalização do país, a gerente comercial da VIMASTER Produtos de Sinalização Viária e vice-presidente da Associação Brasileira de Segurança Viária – ABSeV, Silvia Mugnaini, explorou o tema “Sinalização Horizontal: Critérios Técnicos e Boas Práticas” em sua preleção.

Um dos pontos altos foi quando ela defendeu a bandeira da ABSeV e de todo o segmento de segurança viária: a responsabilidade e a tarefa de salvar vidas, dentro dos conceitos de “visão zero” e “rodovias que perdoam”.

De acordo com ela: “O nosso objetivo é a redução do número de fatalidades e a gravidade dos sinistros, obedecendo ao Código Brasileiro de Trânsito e às normas brasileiras”, declarou a executiva.

Concentrando-se em um maior detalhamento das soluções para sinalização horizontal, que afinal “é a única que conversa com o usuário do começo ao fim do seu caminho”, a gerente destacou os diferentes tipos de pigmentos, adequados para cada situação, como as tintas acrílicas e à base d’água, destacando alguns desafios do segmento, como a sempre presente demanda por maior durabilidade.

Um desafio acessado pela VIMASTER com a tinta Starline, adicionada ao grafeno, com ganhos, de acordo com ela, “extraordinários”, e uma outra inovação, que são as microesferas de vidro amarelas, que reforçam a tonalidade em pinturas de eixo.

Ao finalizar, a executiva frisou que, no fim das contas: “Salvar vidas não tem preço”.

SERPRO

Sob o título “Aplicação do RADAR como impulsionador da transformação digital dos órgãos autuadores de infração de trânsito”, Humberto Rocha, executivo de negócios para o mercado público do Nordeste da SERPRO, iniciou explicando que:

“O SERPRO é um órgão do Governo Federal, com mais de 60 anos de mercado, e que tem uma transversalidade com vários outros órgãos, incluindo o próprio DER-PB. É também uma plataforma de inteligência de negócios e constitui agora a Empresa Nacional de Inteligência em Governo Digital e Tecnologia da Informação”.

Seguindo para o objeto de sua apresentação, a solução foi definida da seguinte forma: “O RADAR é uma solução multicliente de gestão de infrações de trânsito, provida na modalidade SaaS — Software as a Service — integrada às bases de trânsito: RENAINF (Registro Nacional de Infrações de Trânsito), RENACH (Registro Nacional de Carteira de Habilitação) e RENAVAM (Registro Nacional de Veículos Automotores)”.

Indo além, o executivo demonstrou alguns cases de sucesso, como a participação do SERPRO com o RADAR para a implantação do free flow junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres, via integração do RADAR com concessionárias ou empresas terceirizadas.

Ele também frisou a utilização de IA para apoiar a auditoria de registros de infrações e relatórios dentro da base de dados, incluindo a pesagem em movimento (HS-WIM), agilizando o processamento das multas.

GRUPO GTO

Explorando o tema “Fiscalização eficiente para Rodovias Inteligentes”, o advogado pós-graduado em direito público e contratações governamentais e coordenador da área de pré-vendas do Grupo GTO, Adriano Souza, destacou que a aplicação de recursos em sistemas e tecnologia viária já não deve ser encarada como custo, mas como investimento em capacidade operacional.

Sistemas esses que o executivo preferiu nomear como “Tecnologia Embarcada na Rodovia”, afirmando em seguida: “São tecnologias que aumentam a capacidade de monitoramento em tempo real, aceleram os tempos de resposta a incidentes e ocorrências, consequentemente aumentando a segurança viária e a eficiência operacional, fortalecendo o esforço legal de fiscalização, por meio de evidências auditáveis”.

O 1º Workshop Rodoviário do DER-PB, em conjunto com a ABDER, pode e deve ser considerado um sucesso. Presença carimbada em eventos segmentados e de alto nível técnico da infraestrutura brasileira, RodoVias&Infra, naturalmente — assim como demais autoridades presentes — tem a expectativa de que esta inédita ação venha a se perenizar no horizonte, cada vez maior, de eventos dedicados ao setor em escala nacional.