De uma autarquia criada em 1946 para abrir os primeiros caminhos rodoviários do Estado a uma estrutura responsável por 3.200 quilômetros de rodovias pavimentadas, o Departamento de Estradas de Rodagem chega às oito décadas projetando os próximos caminhos da Paraíba.
Há instituições que atravessam a história. E há aquelas que ajudam a construí-la. O Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba, criado em 26 de junho de 1946, pertence às duas categorias. Foi nesse mesmo espírito que o DER-PB reuniu, em junho, servidores, autoridades e convidados para celebrar seus 80 anos. A programação incluiu homenagens, atividades de saúde e bem-estar, apresentações culturais e uma exposição que contou a trajetória do órgão por meio de dez totens instalados em uma pista cenográfica em formato de rodovia. No mesmo evento, foi lançado o Planejamento Estratégico 2027‒2030, construído com a participação de servidores de diferentes setores. A comemoração, portanto, serviu também como ponto de partida para olhar o futuro. Mas é na história que está a dimensão de uma instituição que ajudou a transformar o território paraibano.

UMA ESTRADA, UMA HISTÓRIA
Quando o DER surgiu, no governo de Odon Bezerra Cavalcanti, a Paraíba tinha um desafio gigantesco: transformar caminhos dispersos em uma rede capaz de conectar o litoral ao interior. O primeiro Plano Rodoviário Estadual previa 1.354 quilômetros de estradas, tendo como eixo a ligação entre Cabedelo e Cajazeiras. O engenheiro Serafim Rodriguez Martinez foi o fundador e primeiro diretor-geral. Vieram a requalificação da Ponte Sanhauá, a pavimentação entre João Pessoa e Santa Rita, o laboratório de solos, o Anel do Brejo e, em 1967, a inauguração da sede própria. Nas décadas seguintes, novas ligações, acessos e contornos ampliaram a integração estadual. Hoje, o DER-PB administra uma estrutura que inclui 3.200 quilômetros de rodovias pavimentadas. A função essencial, porém, permanece. Em entrevista à Rodovias & Infra, Carlos Pereira de Carvalho e Silva, diretor-presidente do DER-PB, resumiu a vocação do órgão: “A estrada é a melhor forma de comunicação entre as pessoas, entre as comunidades, entre as cidades, entre as regiões.”
UMA VIDA DENTRO DO DER
Poucos personagens poderiam contar essa história de maneira tão literal quanto o atual diretor-superintendente Carlos Pereira. Sua relação com o DER começou em 16 de novembro de 1952, um dia depois de completar 14 anos. Entrou como contínuo, no antigo prédio da Avenida Maximiano de Figueiredo. Formou-se engenheiro em 1963 e acompanhou diferentes fases da evolução do órgão, inclusive a construção de sua sede. Em depoimento publicado pelo próprio DER, Carlos recordou aquele início: “Foram tempos inesquecíveis. Os primeiros trabalhos, as primeiras obrigações, o cuidado com o ponto para não atrasar, saber servir a todos com respeito sem perder a dignidade da função humilde de contínuo e tantas outras lições que embasaram a minha vida pública.” Sua trajetória é também uma linha do tempo do departamento. Carlos conheceu o DER quando a instituição ainda começava a desenhar a rede que décadas depois conectaria o Estado.

UM NOVO CICLO
Entre 2016 e 2026, o DER-PB contabiliza mais de R$ 5 bilhões aplicados e aproximadamente 3 mil quilômetros de intervenções. O período reúne recuperação e implantação de rodovias, pavimentação de acessos e obras de mobilidade. O programa Caminhos da Paraíba atuou sobre cerca de 2.700 quilômetros e contribuiu para eliminar o isolamento rodoviário de 54 municípios. As Travessias Urbanas, por sua vez, já alcançam mais de 210 municípios e mais de 630 quilômetros de intervenções. No campo das grandes obras, o Arco Metropolitano de João Pessoa, com 18 quilômetros, cria uma ligação alternativa entre as BR-101 e BR-230. O Complexo Ponte do Futuro, com aproximadamente 30 quilômetros, conecta Cabedelo, Santa Rita e Lucena. Esse movimento exige também mudanças internas. O advogado Luiz Felipe Lima Lins, responsável pelo Núcleo de Apoio às Contratações, explica uma delas: “O NAC foi criado recentemente como uma inovação na estrutura administrativa do DER-PB. Nosso objetivo primordial é adequar os processos à nova Lei de Licitações (…) Havia um gargalo, e aproveitamos a oportunidade para modernizar a estrutura.” A modernização das contratações, o planejamento e a busca por eficiência passaram a acompanhar a expansão dos investimentos. É nesse contexto que se encaixa outra declaração de Carlos Pereira sobre o momento atual: “Nossa administração tem focado no desenvolvimento integral do Estado, com a infraestrutura de transportes como uma meta prioritária.”
O PRÓXIMO CAMINHO
Aos 80 anos, o DER-PB não fecha um ciclo. Abre outro. Há mais de 20 obras em processo de licitação, somando mais de 250 quilômetros, além de projetos que acrescentam aproximadamente 300 quilômetros ao planejamento futuro. Entre eles estão intervenções na PB-004, entre Bayeux e Santa Rita, e obras nas PB-387, PB-394, PB-302, PB-057 e PB-262, além de uma nova ponte sobre o rio Camaratuba. A instituição também incorpora novas preocupações. Em 2026, conquistou o primeiro lugar no Nordeste e a quarta colocação nacional na Chamada Pública Procel Energia Zero em Prédios Públicos, garantindo R$ 1,8 milhão para modernização e eficiência energética da sede. O planejamento estratégico 2027‒2030 estabelece metas e indicadores para orientar os próximos anos. No aniversário, entre memória e futuro, o DER voltou a contar sua própria história. E talvez a melhor síntese continue sendo a de Carlos Pereira: “A estrada é como um verdadeiro caminho de vida.” Oito décadas depois, a Paraíba continua construindo os seus.