Carlos Pereira – A Influência Seminal de Uma Transformação Real

“Por favor coloque meu nome completo”. O pedido singelo do aquilatado homem à frente do DER-PB pouco ou nada faz justiça à grandiosidade de um caráter cuja própria vida, um misto de lendas verídicas e realidades oníricas, se confunde com a marca da instituição que ajudou a moldar, e que a ele deve boa parte de sua identidade institucional. A justificativa, tão sincera e original quanto o pedido, segundo ele, foi calcada no arraigado desejo de exortar tanto sua paraibanidade quanto sua brasilidade, conferidas já pela sequência Pereira de Carvalho, culminando em Silva. Como se o ilustre “Dr. Carlos” de algo remotamente parecido precisasse. Pois o verde e amarelo, e o vermelho e preto das bandeiras que tão enfaticamente sempre defendeu, são, afinal, as cores de uma existência dedicada ao progresso de ambas as flâmulas, pelas vias da engenharia que ele tanto contribuiu para fazer prosperar, e que RodoVias&Infra foi por lá registrar.

RodoVias&Infra: O senhor, além de engenheiro e outros predicados, é um cronista de seu tempo, conciliando uma rara habilidade executiva. Também o senhor está à frente do segundo termo de uma das gestões que mais investiu no estado. Como esta história recente se desenvolve?

Carlos Pereira: O Governador João Azevêdo, ao assumir o seu segundo mandato, fez uma declaração que resumiu bem o seu intuito de completar o maior programa rodoviário da história da Paraíba. Disse ele, naquela oportunidade, que a estrada é a melhor forma de comunicação entre as pessoas, entre as comunidades, entre as cidades, entre as regiões. E o esforço do seu governo seria sempre dirigido no sentido de melhorar cada vez mais a malha rodoviária estadual. Afinal de contas, somos todos Paraíba e os paraibanos não podem, nem devem, viver isolados uns dos outros.

Neste diapasão, praticou uma administração voltada para o desenvolvimento do Estado como um todo e destacou a infraestrutura de transportes como uma das principais metas a alcançar. Realizando uma administração em que gastos desnecessários foram abolidos, implantando uma rigorosa política fiscal com o aumento da receita e a redução das despesas, sobretudo no funcionamento da máquina administrativa, novos desafios vieram à tona e foram vencidos. E o DER entrou no circuito desenvolvimentista do Estado como órgão-chave para que os objetivos ditados pelo Governador fossem atingidos.

De que maneira começa a ser montada esta estratégia?

Os trabalhos se concentraram em quatro áreas igualmente importantes, a saber: I – Extensão e manutenção da malha rodoviária estadual; II – Obras com foco principal na mobilidade humana; III – Rodovias interligando as regiões do Estado, facilitando o deslocamento de pessoas e o transporte de produtos agropecuários dos pequenos centros para comercialização nos maiores locais de consumo; e IV – Economicidade nos custos de transporte e facilitação de deslocamento de pessoas através de veículos, sobretudo de ônibus no transporte público, com visível redução no preço das passagens.

Para desenvolver um programa dessa estirpe, o governo contou apenas com recursos orçamentários próprios ou foi buscar outras fontes de financiamento?

Em verdade, todo programa rodoviário do Estado na gestão João Azevêdo foi financiado com recursos próprios do Estado. Podemos destacar algum volume de recursos financeiros obtidos, em forma de empréstimos junto ao BNDES que, somados aos recursos próprios, permitiram a realização de obras estruturantes, como por exemplo a construção do Arco Metropolitano de João Pessoa, um dos marcos mais significativos da atual gestão.

Quais outras obras importantes marcaram o atual mandato do Governador João Azevêdo?

Além do Arco Metropolitano de João Pessoa, com 18,7 km de extensão, ligando a BR-101 (no eixo João Pessoa/Recife) à BR-230 (no eixo João Pessoa/Campina Grande), obra que se consolida, sem dúvida, como a maior intervenção rodoviária em execução nos últimos tempos na Paraíba, com investimentos superiores a R$ 200 milhões e que terá papel decisivo na retirada do tráfego de passagem da Capital, hoje responsável por elevados índices de congestionamento de veículos de passageiros e de cargas.

Destaca-se também a construção do Arco Metropolitano de Campina Grande, com objetivos semelhantes, visa desviar grande parte do fluxo do centro urbano da segunda cidade mais importante do Estado, promovendo maior fluidez e segurança viária. O traçado conecta a BR-230, na entrada do município, à BR-104, rodovia federal que corta o território paraibano de ponta a ponta, desde a divisa com o Rio Grande do Norte, no município de Nova Floresta, até a divisa com Pernambuco, em Alcantil, fortalecendo a integração regional e a logística de transportes.

Complementando esse conjunto de grandes investimentos em infraestrutura, destaca-se ainda o Complexo Rodoviário Ponte do Futuro, com aporte de R$ 465,5 milhões, que se integra a esse novo cenário de mobilidade, ampliando a capacidade viária, modernizando conexões estratégicas e contribuindo diretamente para o desenvolvimento econômico e urbano da Paraíba.

Mas há outras obras, bastante emblemáticas, e que marcam este segundo mandato do Governador, dentre elas, o chamado Complexo da Ponte do Futuro.

Sem dúvida, este é o mais importante desafio que o atual Governador enfrentou e está levando a cabo, na programação rodoviária da Paraíba em termos de importância geral para o povo paraibano e que está transformando em autêntica realidade o que, durante muito tempo, parecia apenas um sonho, a construção de um complexo rodoviário de apoio ao porto de Cabedelo, um dos principais equipamentos portuários do Nordeste e por onde circula uma boa fatia da economia do Estado e da região Nordeste.

Além de ligar os municípios de Cabedelo a Lucena, atualmente feita através de utilização de transporte fluvial, a chamada Ponte do Futuro é, de longe, o maior investimento já feito na Paraíba em todos os tempos. Ali estão sendo aplicados mais de R$ 400 milhões, no complexo que tem como principal componente uma ponte sobre o rio Paraíba com 2,6 km de extensão. A construção desse complexo rodoviário de apoio ao Porto significará também fundamental ferramenta para retirar da cidade de João Pessoa o maior fluxo de veículos de passeio e principalmente de cargas que chegam e partem do Porto, vindos ou partindo para outros Estados do Brasil e inclusive para o exterior, graças a importantes melhorias introduzidas no funcionamento do Porto, também com recursos próprios do Tesouro Estadual.

E o DER também está desenvolvendo outros projetos rodoviários, principalmente para atender a municípios de menor expressão social e política, dentro de programações extensas, como por exemplo as “Travessias Urbanas”?

Está sim. Tanto o programa de Travessias Urbanas, quanto o asfalto que levamos a vias urbanas de pelo menos 210 dos nossos 223 municípios, e mesmo a meticulosa manutenção das vicinais em leito natural, são intervenções que resgatam a dignidade, melhoram a qualidade e elevam a autoestima da população.

São dezenas de obras de menor porte que já foram entregues à população e outras que estão em andamento, sem falar num número razoável de outras que ainda estão sendo licitadas. Mas, para detalhar esses programas inclusive com dados que vão à descrição dos municípios beneficiados com respectivas populações e total de recursos aplicados, passo a palavra ao eng. José Arnaldo de Sousa Lima, Diretor de Planejamento do nosso DER, sem dúvida, um dos melhores quadros com que o Governo Estadual conta, para enfrentar e vencer estes desafios, como acentuei no início desta saudável conversa que mantivemos.