Missão Paraná
Figura central na transformação da infraestrutura rodoviária paranaense, com experiência no setor e um currículo que inclui passagens pelo DNIT, Ministério da Infraestrutura e pela Secretaria de Infraestrutura e Logística do Paraná (SEIL, atual INFRA/PR), Fernando Furiatti Saboia, lidera, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná – DER/PR, iniciativas ambiciosas que visam modernizar e otimizar a malha viária do estado. Admirado, respeitado e reconhecido pela competência e capacidade gerencial, RodoVias&Infra teve a oportunidade de conversar com ele sobre os principais temas da agenda construtiva e logística que reforçaram a vocação de uma potência.

RodoVias&Infra: O Paraná tem sido amplamente reconhecido como um dos mais pujantes estados do país quanto a sua infraestrutura, com um volume expressivo de investimentos. Qual a missão principal que o governo do Paraná tem confi ado ao DER/PR e como essa visão se traduz na prática para os usuários das rodovias?
Fernando Furiatti: O governador me deu uma missão: vamos transformar o estado do Paraná no hub logístico do Brasil. Nossa principal missão é, de fato, essa. E isso se traduz em um aporte de recursos sem precedentes. Como eu venho dizendo há tempos, o Paraná se tornou um verdadeiro “canteiro de obras”, e não sou só eu quem diz, mas a própria população e os profissionais do setor. Na prática, a ideia é buscamos trazer muita segurança e conforto a todos os usuários das nossas rodovias, garantindo que a produção do nosso estado, e quanto ao transporte de cargas, especialmente a safra agrícola, cheguem rapidamente e com segurança ao Porto de Paranaguá, que é o porto mais eficiente do Brasil, por quatro anos consecutivos. É um ganha-ganha para o cidadão e para a economia.
As novas concessões rodoviárias no Paraná têm sido um marco, especialmente com o sucesso do Lote 1 e as expectativas para o Lote 2. Quais são as principais diferenças e avanços dessa nova modelagem em comparação com as concessões anteriores?
Viramos uma página de uma concessão que talvez não tenha sido bem-sucedida, porque não tínhamos uma modelagem. A época que foi feita em 97 não era muito clara. Aprendemos muito com os 24 anos da concessão
anterior. A nova modelagem, construída em parceria com o Ministério dos Transportes, prioriza o cidadão paranaense. No Lote 1, por exemplo, tivemos um sucesso absoluto com um desconto considerável, resultando em tarifas muito menores ‒ cerca de 65% menor por Km, na média de todo o lote ‒ e um volume de investimentos muito grande, de aproximadamente R$ 8 bilhões, em obras essenciais, como duplicações, terceiras faixas, viadutos, interseções em desnível e ciclovias. Uma diferença crucial é a preocupação com a execução das obras nos primeiros anos de contrato e a atenção às áreas urbanas e acessos. Foram consideradas as demandas da população por meio de audiências públicas, resultando em tratamentos para perímetros urbanos, contornos em municípios, ciclovias, como eu disse, e faixas de pedestres. Além disso, no Lote 2, teremos mais de 110 interseções em desnível, o que aumenta significativamente a segurança. Este modelo é um reflexo do que o Paraná é hoje: um estado que entende de rodovias e que busca soluções eficazes e justas.
Um dos grandes destaques do DER/PR tem sido a aposta no pavimento de concreto. Seu painel, à convite da Votorantim na Paving Expo 2025, inclusive relatou muito da experiência do Departamento com o Whitetopping. Qual foi o maior desafio para introduzir e expandir o uso desse tipo de pavimento no Paraná, e que vantagens ele oferece em termos de sustentabilidade e durabilidade?
O maior desafi o foi nós internamente mostrarmos que a vantajosidade do pavimento rígido ao longo dos anos é grande. Mostrar que nós vamos fazer um pavimento agora, talvez um pouco mais caro, mas que, ao longo dos anos, traz um benefício enorme para o Estado e para a população, por conta de baixa manutenção, entre outros
pontos positivos. Tivemos que quebrar o paradigma de que só se falava em pavimento flexível e explicar,
tecnicamente, nossa opção pelo pavimento de concreto. Isso se tornou possível, em grande parte, pelo apoio de um governador que realmente acredita na infraestrutura. Tivemos que mostrar internamente que, embora o custo inicial possa ser marginalmente maior em alguns casos ‒ e não “quatro, cinco vezes mais caro” como se dizia, por vezes até mais barato ou cerca de 20% mais caro dependendo do caso ‒ os benefícios a longo prazo são enormes. É uma tecnologia consagrada em países que têm grande tradição rodoviária, como Estados Unidos, Alemanha, entre outros. Por sinal, acredito que estamos conseguindo mudar a mentalidade, porque, recebemos recentemente, um questionamento do próprio Tribunal de Contas Estadual – TCE, perguntando se um determinado edital, não seria mais vantajoso em concreto. Na minha opinião, é algo que mostra que estamos no caminho certo. Também o nosso governador, agora, sempre que pavimentação vem à pauta, pergunta se a obra vai ser em concreto. Mesmo tecnicamente falando, fomos pioneiros ao realizar o primeiro whitetopping em rodovia de pista simples no país. Reduzimos nossa pegada de carbono, obtendo ganhos em sustentabilidade, porque migramos do cimento CP2F40 para o CP432RS em segmentos da PRC 280, o que resultou em uma redução de 28% nas emissões de CO2, ou 24,5 t, em comparação com outros trechos. Estamos inclusive buscando o “selo amarelo” de redução de emissões. Esse trabalho é inédito, medindo as emissões desde a extração da matéria-prima até o fim da vida útil da rodovia, considerando o tráfego por 20 anos. Isso é um orgulho, pois a engenharia cumpre seu papel técnico, social e também ambiental.
O DER/PR tem aumentado consideravelmente a malha pavimentada em concreto, seja com obras entregues, em execução ou licitadas. Poderia detalhar alguns desses projetos e mencionar as perspectivas para novos trechos desta natureza?
Nós conseguimos, já estamos chegando a 350 Km entre rodovias entregues, rodovias em execução e rodovias
licitadas. É um número significativo. E esse número é um reflexo de muito trabalho e da qualidade das contratações que conseguimos fazer. Entre os projetos, posso citar a PR-151, que liga Ponta Grossa à Palmeira, onde estamos fazendo uma restauração em whitetopping com ampliação de capacidade, incluindo acostamento e correção de curvas. Outro exemplo é a duplicação entre Guarapuava e Palmeirinha, e o segundo lote, Palmeirinha a Turvo, onde a pista nova será em concreto e a antiga restaurada com whitetopping. Nosso objetivo é deixar um legado para futuras gestões, com custos de manutenção muito menores. Não é só expectativa, é tenho realidade. Recentemente, lançamos mais 45,5 Km de duplicação em concreto e restauração também em whitetopping, na ligação Turvo-Pitanga. Além disso, temos mais 200 Km de projetos em andamento que, em breve, serão colocados na praça. Ou seja, há bastante trabalho pela frente, e continuamos buscando viabilizar outros segmentos para pavimentação em concreto.
O senhor destacou a importância do gerenciamento de pavimentos. Como o DER/PR está inovando nessa área, especialmente com o sistema de gerenciamento para pavimentos de concreto, e qual o impacto disso na longevidade e qualidade das rodovias?
Há pouco tempo atrás, nós fizemos um gerenciamento desse pavimento de concreto. Através de um termo de cooperação da Votorantim e do DER/PR, que é um georreferenciamento que poderia demorar até 45 dias. Esse gerenciamento foi feito em 3 horas, com equipamento de altíssima tecnologia. Você falou em durabilidade, e ela é fundamental para nós, um ponto de honra pela opção. O DER/PR já tem um sistema de gerenciamento de pavimentos implementado para pavimentos flexíveis, e agora somos pioneiros na implementação desse sistema para pavimentos de concreto. Além disso, estamos implementando um novo sistema de gerenciamento de pavimento que utiliza equipamentos ainda mais avançados para avaliar, não apenas a camada de rolamento, mas
também a espessura das bases e sub-bases. Isso nos permite realizar intervenções mais precisas e direcionadas, evitando soluções “padrão para tudo”. Nosso objetivo é fazer para durar, como demonstra o gerenciamento do pavimento de concreto para 30 anos na PRC-280. Aliás, em 2022, alcançamos a melhor avaliação de pavimento dos últimos 20 anos no estado, o que significa rodovias em melhores condições e um uso eficiente dos recursos.
O DER/PR também investe em segurança rodoviária e manutenção. E aí entramos em outra inovação, que é o PROSEG. Como tem sido este desenvolvimento?
É um programa de sinalização, completo, com o que existe de mais moderno neste tipo de engenharia, não apenas em termos de projeto, como de equipamentos e materiais, a troca de toda a sinalização vertical, como as placas, além da instalação de defensas onde necessário. Esses dispositivos são cruciais para a orientação e segurança dos usuários, especialmente à noite ou em condições de chuva. É um programa em andamento, e todas as nossas rodovias receberão essa aplicação para garantir que o usuário se sinta seguro e que seu dinheiro esteja sendo bem utilizado. A segurança viária, para o DER/PR, é uma prioridade constante. Manutenções também fazem parte disso e, estamos preparando um novo pacote robusto que terá cobertura em toda a malha rodoviária do estado, incluindo tanto as rodovias pavimentadas quanto as estradas não pavimentadas. Todas já se beneficiando do novo sistema de gerenciamento de pavimento que mencionei. Com isso, conseguiremos uma manutenção mais inteligente e eficaz, com intervenções específicas para cada segmento.

O DER/PR também tem promovido alguns empreendimentos de grande monta, alguns deles históricos. E,
talvez o mais impressionante, em praticamente todas as regiões do estado. Vamos falar um pouco sobre eles?
Verdade. Uma vez, conversando com o secretário Sandro Alex, que também é muito entusiasta e gosta de visitar as obras, eu falei assim: ‘Olha, escolha onde você quer ir, em qual região do estado que você quer ir, porque lá vai ter obra.’ Então, pode escolher a região que a gente tem obra em todas as regiões do Estado do Paraná. Em Londrina, por exemplo, temos o Viaduto da PUC, que é uma obra muito aguardada, e que está em fase adiantada de execução. Era um local com altíssimo índice de acidentes, e a obra tem sido elogiada pela população. Já em Foz do Iguaçu, temos uma parceria importante com a ITAIPU Binacional, que resultou em mais de R$ 1,6 bilhão em convênios. Lá o destaque é nova Ponte Brasil-Paraguai, que já está pronta e se tornou um ponto turístico com sua iluminação cênica. É uma obra estaiada, com 760 m de comprimento e um vão livre de 470 m, o maior da América do Sul. Além dela, estamos duplicando a Rodovia das Cataratas (BR-469) com interseções em desnível, uma obra de execução complexa devido ao movimento intenso na região turística. Quer ir a Cascavel? Lá, estamos duplicando a BR-277, uma ligação crítica com alto volume de tráfego que contará com viadutos e trincheiras para maior segurança, especialmente na entrada da Ferroeste. O contorno de Cascavel, duplicado em concreto, está praticamente concluído, o que eliminará o congestionamento que ocorria, por exemplo, durante a exposição anual. Por fim, quem quiser pegar um pouco de sol de capacete e visitando obras, temos a Ponte de Guaratuba, citada até na Constituição Estadual. Histórica. Uma obra que muitos diziam que não ia sair e está saindo. O contrato está em andamento e a obra caminha com firmeza, dentro do cronograma, chegando já em seus 80% de execução.

O senhor possui uma jornada consistente na prestação de serviços públicos. O quão importante esta experiência foi para conseguir “destravar” o Paraná?
Eu tenho 28 anos de formado e 28 anos na área rodoviária, então, obviamente, que isso traz um certo conhecimento e que a gente pode aplicar, seja para contribuir de forma mais assertiva no modelo de
concessão, seja na elaboração dos planos de melhorias, ampliação e conservação da malha rodoviária do
Estado do Paraná. Mesmo tendo exercido funções no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes ‒ DNIT, que literalmente realiza obras por todo o país, eu nunca vi um volume de investimentos em infraestrutura
tão grande quanto o que o Governo do Estado do Paraná tem realizado nos últimos anos. Porém, mais
importante do que minha experiência, é a competência da equipe que trabalha comigo. O DER/PR se tornou uma
referência nacional em obras rodoviárias e investimentos em infraestrutura. Essa robustez da equipe nos permite
aplicar o conhecimento mais avançado na nossa malha rodoviária de 12 mil Km, dos quais 10,5 mil são
pavimentados. O governador determinou que devemos levar o que há de melhor, e é isso que estamos fazendo
para construir um legado de infraestrutura que realmente mude a vida das pessoas, garantindo durabilidade,
segurança e o desenvolvimento do nosso estado.